ROMBO NA PASTA

Vereador se revolta após revelações de ex-secretário: "Inviabilizou a Saúde"

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Vereador se revolta após revelações de ex-secretário: "Inviabilizou a Saúde"

Conforme o depoimento do ex-secretário de Planejamento e contador-geral de Cuiabá, Éder Galiciani, as Pastas que concentraram o maior volume de despesas sem cobertura orçamentária foram as secretarias de Saúde, principalmente pela Empresa Cuiabana de Saúde Pública, e a de Comunicação (Secom). Galiciani prestou depoimento na sexta-feira (19) em oitiva da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Municipal

O ex-secretário detalhou que a Comunicação acumulou R$ 30 milhões em gastos sem o indispensável empenho prévio. Já na Saúde, a soma dos valores não empenhados com as despesas que chegaram a ser empenhadas, mas não foram pagas pela gestão anterior, gerou uma dívida que atinge quase R$ 600 milhões.

Os valores geraram revolta no vereador Wilson Kero Kero, membro da CPI, que citou o caos na Saúde nos primeiros meses da gestão Abilio, causadas pelas dívidas deixadas por Emanuel.

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“Praticamente inviabilizou a Saúde. Isso justifica a intervenção [decreto de calamidade econômica] e as dificuldades que estão postas até hoje. Mesmo saldando muita coisa, cerca de R$ 350 milhões já foram pagos segundo o prefeito Abilio, mesmo assim as dificuldades são muito grandes”, disse o vereador.

A atual gestão precisou aprovar na Câmara um projeto de lei fixando parcelas para a quitação de uma dívida total de R$ 723 milhões, herdada da gestão anterior e parcelar dívidas de R$ 200 milhões da Empresa Cuiabana de Saúde Pública.

Além das "pedaladas fiscais" reveladas na Saúde de Cuiabá, também a pasta acumulou uma série de operações policiais. Veja abaixo:

As revelações da CPI se somam ao histórico de investigações que marcaram a gestão Emanuel Pinheiro. Ao deixar o Palácio Alencastro, em dezembro de 2024, o ex-prefeito carregava o peso de mais de 20 operações policiais e investigações relacionadas à sua administração, a maioria concentrada na área da Saúde.

Entre os casos mais emblemáticos está a Operação Miasma, deflagrada pela Polícia Federal em 2024, que colocou no centro das investigações a empresa Ikhon Gestão, Conhecimentos e Tecnologia Ltda.

A apuração apontou suspeitas de fraudes em contratos firmados pela Secretaria Municipal de Saúde entre 2021 e 2023. Segundo a PF, a empresa recebeu mais de R$ 8 milhões em pagamentos públicos. Paralelamente, uma ação do Ministério Público Estadual pede a devolução integral dos recursos, alegando que o sistema de gestão documental contratado por R$ 14,9 milhões nunca chegou a ser efetivamente implantado.

A operação também atingiu familiares da então primeira-dama Márcia Pinheiro, suspeitos de participação em contratos investigados. Conforme as apurações, uma empresa ligada ao grupo recebeu cerca de R$ 3 milhões da Prefeitura apesar de apresentar estrutura considerada incompatível com os valores movimentados.

Além da Miasma, a administração Emanuel foi alvo de uma sequência de operações de grande repercussão, como a Sangria, que investigou fraudes em contratos da Saúde; a Overlap, sobre supostas irregularidades em licitação da Comunicação; a Overpriced, relacionada à compra de medicamentos durante a pandemia; a Sinal Vermelho, que apurou suspeitas de fraude na aquisição de semáforos inteligentes; e a Curare, que investigou desvios milionários em contratos da Covid-19.

Também ganharam destaque as operações Colusão, Capistrum, Fake News, Chacal, Hypnos, Overpay, Raio X, Iterum e Athena, todas voltadas à apuração de supostos esquemas envolvendo recursos públicos municipais.

As investigações resultaram em afastamentos de Emanuel Pinheiro por duas vezes, além da saída de diversos secretários municipais. Parte dos processos segue em tramitação na Justiça Estadual e Federal, alguns deles sob sigilo. Galiciani, inclusive, já havia sido ouvido anteriormente na CPI das Fraudes Fiscais, encerrada em 2025, que pediu seu indiciamento por suposta violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.