RESGATE EM FAZENDA

Empresa de ex-miss mato-grossense passa a integrar Lista Suja do trabalho análogo à escravidão

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Empresa de ex-miss mato-grossense passa a integrar Lista Suja do trabalho análogo à escravidão
A ex-Miss Mato Grosso Internacional 2024, Taiany França Zimpel - Foto: Reprodução / MTE

Trabalhadores dividiam alojamentos improvisados com materiais utilizados nas atividades de corte e empilhamento de madeira

Uma fiscalização realizada em uma propriedade rural de Nova Maringá, em setembro do ano passado, levou a empresa T. F. Zimpel Ltda., da ex-Miss Mato Grosso Internacional 2024 Taiany França Zimpel, a ser incluída no cadastro nacional de empregadores relacionados à exploração de mão de obra em condições análogas à escravidão.

A entrada no cadastro ocorreu na atualização tornada pública pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta terça-feira (6). Ao todo, a nova relação acrescentou 82 empregadores de diferentes partes do país, sendo três deles de Mato Grosso.

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O caso envolvendo a empresa teve origem na Fazenda Eliane Raquel e Quinhão. Foi nessa propriedade que uma ação de fiscalização encontrou 20 pessoas trabalhando no corte e na organização de madeira em condições consideradas degradantes. Um adolescente de 17 anos estava entre os resgatados.

O cenário encontrado pelas equipes incluía alojamentos improvisados e ausência de itens básicos para permanência dos trabalhadores no local. Conforme informações do Ministério Público do Trabalho (MPT), não havia água própria para consumo nem instalações sanitárias adequadas.

Os trabalhadores estavam acomodados em duas estruturas feitas de madeira e lona. Para dormir, parte deles utilizava colchões deteriorados e sujos apoiados diretamente sobre tábuas e pedaços de madeira. Outros descansavam em redes. Ferramentas e materiais utilizados nas atividades também dividiam espaço com os alojamentos.

A fiscalização ocorreu em setembro de 2025 e, além de retirar os 20 trabalhadores da propriedade, desencadeou medidas para assegurar o pagamento dos direitos trabalhistas e exigir adequações dos responsáveis.

Na ocasião, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). O acordo estabeleceu, entre outras obrigações, o pagamento de R$ 418 mil referentes às verbas rescisórias dos trabalhadores encontrados na fazenda.

Taiany e outros sócios também foram responsabilizados pelo pagamento de R$ 1 milhão, valor destinado ao Projeto Ação Integrada Mato Grosso (PAI/MT), que desenvolve iniciativas de prevenção e enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo.

Mais de um ano depois da fiscalização, o episódio passou a constar também na chamada “Lista Suja” do trabalho análogo à escravidão. O cadastro do Governo Federal identifica empregadores responsabilizados administrativamente por esse tipo de exploração após a conclusão dos procedimentos previstos para a inclusão.