Após ser acusado de "engessar" a Prefeitura, Wanderley Cerqueira rebate Flávia Moretti, afirma que a Câmara aprovou quase todos os projetos do Executivo e questiona o destino dos recursos públicos
A crise política entre a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), e o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (17). Após ser responsabilizado pela prefeita pela decretação da calamidade financeira no município, o chefe do Legislativo foi às redes sociais para rebater as acusações, negar que a Câmara tenha travado a administração e cobrar explicações sobre as contas da Prefeitura.
Em um vídeo publicado em suas redes socias, Wanderley afirmou que o Legislativo vem alertando o Executivo há meses sobre o cenário financeiro e disse que a responsabilidade pela situação não pode ser transferida aos vereadores.
"Eu já vim alertando o Executivo desse caos financeiro. A conta não está fechada. Como você quer saber, eu também quero saber. O Poder Legislativo quer saber para onde está indo esse dinheiro", declarou.
A manifestação ocorre um dia depois de Flávia Moretti afirmar que a Câmara "engessou" sua gestão ao reduzir o percentual de remanejamento orçamentário e deixar de pautar projetos considerados estratégicos pela administração. Segundo a prefeita, mais de 25 propostas seguem sem votação, comprometendo áreas essenciais como saúde e educação.
"Todos precisam ser votados, mas esses projetos de leis não são sequer pautado pelo presidente. E o que deixa evidente um posicionamento político e pessoal e não vendo o bem-estar da população. Essa atitude faz com que a população pense que a prefeitura que não está fazendo o seu dever", afirmou a prefeita.
Câmara diz que aprovou quase todos os projetos
No vídeo, Wanderley contestou diretamente a narrativa da prefeita. Segundo ele, a Câmara aprovou praticamente todos os projetos enviados pelo Executivo.
De acordo com o presidente, dos 50 projetos encaminhados pela Prefeitura no ano passado, 42 foram aprovados imediatamente, seis retornaram para correções e depois também receberam aval dos vereadores. Apenas um foi rejeitado: o que aumentava a alíquota do ISSQN de 2% para 5%.
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"O projeto ia rebentar o empresário várzea-grandense. Aquele que gera emprego, aquele que gera renda e aquele que toca a nossa cidade.E assim a Câmara entendeu que o empresário não aguenta mais pagar imposto", afirmou.
"Cheque em branco"
Outro ponto levantado por Wanderley foi a autorização concedida pelo Legislativo para remanejamentos no orçamento municipal.
Segundo ele, em 2025 a Câmara autorizou 25% de remanejamento, o equivalente a cerca de R$ 500 milhões em um orçamento de R$ 1,7 bilhão. Já neste ano, os vereadores aprovaram 5%, aproximadamente R$ 112 milhões, percentual aprovado por 19 parlamentares.
Ainda assim, segundo o presidente, a prefeita voltou a solicitar um novo remanejamento de cerca de R$ 407 milhões, pedido que gerou preocupação entre os vereadores.
Críticas à gestão
Wanderley também questionou a necessidade do decreto de calamidade financeira, afirmando que, apesar dos recursos autorizados, a população continua enfrentando problemas graves.
"É uma gestão que só está pagando folha. Não tem tapa-buraco, o pronto-socorro sofre com falta de medicamentos, a cidade está suja e falta de tudo. É má gestão. Não teve planejamento", disparou.
O presidente ainda afirmou nunca ter visto Várzea Grande decretar calamidade financeira.
"Eu nasci e cresci em Várzea Grande e nunca vi um decreto de calamidade financeira. Eu também estou assustado. Não sei para onde está indo o dinheiro", concluiu.
Reprodução: @wanderleycerqueiravg
Enquanto Executivo e Legislativo trocam acusações sobre quem é o responsável pela crise administrativa, quem continua pagando a conta é a população, que enfrenta dificuldades diárias na saúde, infraestrutura, limpeza urbana e demais serviços públicos, aguardando respostas concretas em vez do permanente jogo de empurra entre os dois Poderes.