CLIMA ESQUENTOU

Debate coloca Pivetta, Wellington e Natasha frente a frente em temas sensíveis

· 4 min de leitura
Debate coloca Pivetta, Wellington e Natasha frente a frente em temas sensíveis
Foto: Reprodução / Primeira Pagina

Primeiro confronto entre os três candidatos teve apresentação de propostas e troca de críticas sobre problemas enfrentados pelo Estado

O primeiro bloco do debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso foi marcado por cobranças sobre problemas enfrentados pelo Estado e por críticas direcionadas à gestão do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que disputa a reeleição. A médica Natasha Slhessarenko (PSD) e o senador Wellington Fagundes (PL) fizeram questionamentos ao chefe do Executivo em temas como infraestrutura, reforma tributária, violência contra a mulher e mineração.

O debate foi promovido pela Rádio Centro América e transmitido pelo Portal Primeira Página, com apresentação do jornalista Thiago Tercioty. Os candidatos tiveram dois minutos e 30 segundos para formular perguntas e responder aos adversários dentro de cada tema.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

A infraestrutura abriu a discussão. Natasha perguntou a Pivetta quais medidas seriam adotadas para evitar problemas na qualidade do pavimento das rodovias estaduais. O governador respondeu destacando a expansão da malha pavimentada de Mato Grosso e citou mais de 7 mil quilômetros de estradas asfaltadas.

Pivetta também lembrou a participação do Estado nas discussões envolvendo a BR-163 e os investimentos realizados com recursos do BNDES. O tema, porém, rapidamente saiu da questão técnica e entrou no campo político. Durante a troca de respostas, foram feitas referências a supostas irregularidades e casos de corrupção. Pivetta afirmou que acusações sem provas não deveriam fazer parte do debate e disse que o período eleitoral acaba estimulando esse tipo de confronto.

Na sequência, Wellington direcionou a Natasha uma pergunta sobre meio ambiente e mudanças climáticas. A candidata defendeu uma política estadual que considere as particularidades dos três biomas existentes em Mato Grosso Amazônia, Cerrado e Pantanal.

Wellington aproveitou a réplica para apresentar propostas relacionadas ao mercado de carbono e à preservação ambiental. Entre as medidas citadas pelo senador estão mecanismos de crédito de carbono e ações preventivas para reduzir os impactos das queimadas.

A inclusão de estudantes com deficiência também entrou na pauta. Pivetta questionou Wellington sobre como pretende estruturar o atendimento educacional a pessoas que precisam de acompanhamento especializado.

O senador defendeu a integração entre educação e saúde para ampliar o suporte aos estudantes. Pivetta afirmou que conhece de perto as dificuldades enfrentadas pelas famílias e mencionou ter um neto autista. O governador também citou programas estaduais voltados ao atendimento de pessoas com deficiência e necessidades específicas.

Durante a discussão, os dois candidatos fizeram referência ao Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho como parte da estrutura pública de atendimento.

A reforma tributária provocou outra rodada de críticas entre Pivetta e Natasha. A candidata questionou o governador sobre o impacto das mudanças tributárias para a economia de Mato Grosso e quis saber quais seriam as estratégias para evitar perdas ao Estado.

Pivetta defendeu a industrialização como uma das alternativas para aumentar a agregação de valor à produção mato-grossense e reduzir a dependência da comercialização de produtos primários.

Natasha afirmou que a resposta não havia apresentado de maneira clara como o governo pretende alcançar esse objetivo. Ela também colocou a industrialização entre suas prioridades e citou o algodão como uma das cadeias produtivas que poderiam receber maior estímulo.

Na resposta seguinte, Pivetta mencionou os investimentos em infraestrutura e os efeitos da BR-163 sobre a economia estadual. O governador questionou por que, apesar dos avanços logísticos, Mato Grosso ainda não teria conseguido ampliar a industrialização no mesmo ritmo.

A violência contra as mulheres levou a outro momento de maior confronto. Wellington perguntou a Natasha quais medidas ela pretende adotar para enfrentar os índices de feminicídio e agressões registrados no Estado.

Natasha criticou as políticas implementadas durante os governos de Mauro Mendes e Pivetta e afirmou que os resultados ainda são insuficientes. Entre suas propostas, citou a criação de uma rede de proteção e prevenção, com ações voltadas também ao ambiente escolar.

A candidata ainda defendeu a revisão da utilização do efetivo policial em funções administrativas e sugeriu que agentes atualmente empregados em atividades de apoio a políticos sejam deslocados para o policiamento ostensivo.

Pivetta apresentou uma proposta semelhante em relação à criação de estruturas específicas para atendimento às mulheres. O governador afirmou que, caso permaneça no cargo, pretende criar uma Secretaria da Mulher e ampliar o funcionamento das Delegacias da Mulher para atendimento ininterrupto.

Ao tratar da proposta, Pivetta afirmou que pretende fazer do Estado uma estrutura de proteção para mulheres vítimas de violência.

A mineração encerrou o primeiro bloco. Pivetta perguntou a Wellington como ele pretende aproveitar o potencial mineral de Mato Grosso sem permitir o avanço da exploração clandestina.

Wellington, ao responder, trouxe para o debate as investigações que envolvem o ex-governador Mauro Mendes e mencionou o inquérito que apura suspeitas relacionadas à comercialização ilegal de mercúrio. O caso passou a tramitar no Superior Tribunal de Justiça.

Pivetta não aprofundou a discussão sobre a investigação e direcionou sua resposta para a necessidade de regularizar a mineração. Ele defendeu que os garimpeiros e mineradores que atuam dentro das regras tenham condições de desenvolver a atividade e afirmou que o setor pode gerar riqueza para Mato Grosso.

Na réplica, Wellington voltou a criticar a postura do atual governo e mencionou um episódio recente envolvendo Pivetta e uma jornalista durante uma entrevista. O senador também fez referência à reação do governador diante de questionamentos feitos pela imprensa.

Pivetta respondeu chamando Wellington de “falastrão”.

Com os primeiros temas, o debate colocou frente a frente três visões distintas sobre infraestrutura, meio ambiente, educação, segurança e desenvolvimento econômico. As discussões também evidenciaram que as questões administrativas rapidamente deram espaço para críticas às gestões anteriores e confrontos entre os candidatos.