Defesa afirmou que problemas no relacionamento teriam afetado o estado emocional da acusada; juiz entendeu que não há indícios concretos de comprometimento psíquico
A Justiça de Mato Grosso rejeitou o pedido da Defensoria Pública para que Alessandra do Nascimento Gonçalves fosse submetida a um exame de insanidade mental. Ela está presa sob acusação de matar a própria sogra, Maria Aparecida da Silva, durante um ataque ocorrido em 22 de agosto, em Confresa.
A solicitação foi analisada pelo juiz Nelson Luiz Pereira Júnior, da 3ª Vara de Porto Alegre do Norte. A defesa sustentou que Alessandra poderia estar com a capacidade mental comprometida quando ocorreu o crime e afirmou que a suspeita apresentou comportamento impulsivo em razão de conflitos enfrentados no relacionamento.
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Durante o depoimento, Alessandra confessou ter sido responsável pelas agressões que provocaram a morte da sogra. Segundo a Defensoria, porém, ela demonstrou dificuldade até mesmo para reconstruir com clareza a sequência dos acontecimentos, circunstância utilizada como argumento para solicitar a realização da perícia.
A defesa também relatou que a acusada vinha enfrentando problemas conjugais e que, naquele período, estaria emocionalmente desestabilizada. Outro argumento apresentado foi o histórico sem registros anteriores de violência ou maus-tratos atribuídos a Alessandra.
O magistrado, entretanto, concluiu que os elementos apresentados até o momento não são suficientes para justificar a abertura de um incidente de insanidade mental. Na decisão, ele ressaltou que a medida possui caráter excepcional e exige indícios concretos de eventual transtorno psíquico capaz de comprometer a capacidade da investigada.
Nelson Luiz Pereira Júnior também deixou aberta a possibilidade de uma nova análise no futuro. Caso sejam apresentados documentos médicos, prontuários psiquiátricos ou outros elementos capazes de levantar dúvida fundamentada sobre a saúde mental da acusada, o pedido poderá ser reavaliado.
Com isso, o juiz acompanhou o posicionamento do Ministério Público e negou a realização da perícia neste momento.
Em depoimento, Alessandra afirmou que vinha enfrentando dificuldades no relacionamento com o companheiro. Segundo seu relato, discussões eram frequentes e ela teria sido alertada diversas vezes pelo marido de que poderia deixá-la sozinha com a filha.
A mulher contou que tentou convencer o companheiro a permanecer ao seu lado e chegou a prometer mudanças em seu comportamento. Na avaliação da defesa, o contexto teria contribuído para o estado emocional apresentado por ela antes do crime.
Na manhã de 22 de agosto, Alessandra deveria ter saído para trabalhar por volta das 4h, mas perdeu o horário e só despertou perto das 6h. Como já havia perdido o início do expediente, decidiu não ir ao trabalho e seguiu até a residência da sogra.
Segundo a versão apresentada por ela, Alessandra possuía uma chave da casa e entrou no imóvel. Ela permaneceu nos fundos da residência, próxima a um freezer, onde começou a fumar.
Pouco tempo depois, Maria Aparecida acordou e foi até a parte externa da casa. Ao encontrar a nora no local, passou a pedir socorro. Alessandra afirmou que ainda estava escuro e que acredita que a sogra não tenha conseguido reconhecê-la imediatamente.
A suspeita relatou ter entrado em pânico diante dos gritos. Disse que estava com a “cabeça fora de si” e pegou um pedaço de madeira, atingindo Maria Aparecida na cabeça.
A vítima caiu, mas teria tentado se levantar e continuado a pedir ajuda. Conforme o relato de Alessandra, ela então voltou a golpeá-la na região da cabeça.
O caso segue sendo apurado pelas autoridades e Alessandra permanece presa enquanto responde às acusações relacionadas à morte da sogra.