Senador afirmou que investigações não podem ser tratadas como eleitorais apenas porque foram deflagradas às vésperas da eleição
O senador e candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), voltou a comentar nesta quarta-feira (12) a Operação Heritage, conduzida pela Polícia Federal e deflagrada no último dia 6. Durante discurso no Senado, ele rejeitou a possibilidade de que a investigação tenha sido motivada por interesses eleitorais ou por articulações políticas.
Para Wellington, as suspeitas devem ser apuradas pelos órgãos competentes independentemente do calendário eleitoral. O senador afirmou que qualquer tentativa de atribuir a operação a uma disputa política não se sustenta.
“As denúncias estão todas [em investigação] pela Polícia Federal e, claro, teremos um julgamento final. Agora, querer dizer que isso foi feito por influência política? Aí não dá”, disse.
A operação alcançou nomes importantes da política mato-grossense, entre eles o ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União), o ex-secretário-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho e o deputado federal Fábio Garcia (União).
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Mauro Mendes reagiu à operação e classificou a ação como uma “armação eleitoreira”, atribuindo a adversários políticos a suposta articulação da investigação às vésperas das eleições.
Wellington discordou da avaliação e defendeu que uma investigação não deve ser considerada inadequada apenas porque ocorre durante uma eleição. Para ele, o momento exige ainda mais agilidade das autoridades para esclarecer as suspeitas.
“Que sejam rápidos, porque agora já está em curso uma eleição. E não venham dizer que isso é denúncia apenas eleitoreira, porque isso foi feito lá atrás, e nós nunca acusamos: só pedimos as investigações.”
O senador também afirmou que é necessário prestar esclarecimentos à sociedade e comparou a situação a outros crimes que não deixariam de ser investigados apenas por ocorrerem durante o período eleitoral.
“Quero dar satisfação à população para não vir amanhã alguém dizer que é inoportuno fazer investigação no período eleitoral, como se alguém fosse roubado nesse período e não pudesse ser investigado. É um absurdo; a população exige uma resposta”, completou.
Wellington também recuperou um episódio ocorrido em março, quando o ex-governador e candidato ao Senado Pedro Taques (PSB) participou de uma audiência da CPI do Crime Organizado no Senado. Na ocasião, Taques apresentou questionamentos sobre o acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), e a operadora Oi.
Segundo Wellington, naquele momento ele cobrou responsabilidade de Taques diante das denúncias apresentadas e defendeu que o caso fosse devidamente investigado.
O candidato ao Governo afirmou ainda que esteve nesta semana com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tratar do andamento das apurações. De acordo com Wellington, durante o encontro ele pediu que as investigações avancem com rapidez.
Wellington aproveitou o pronunciamento para direcionar críticas ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que também disputa o comando do Estado.
O senador questionou a postura de Pivetta diante das suspeitas envolvendo a gestão de Mauro Mendes. Segundo ele, o atual governador procura destacar sua participação nas conquistas da administração anterior, mas se distancia quando surgem questionamentos sobre possíveis irregularidades.
“O atual governador, que foi vice-governador por mais de sete anos, disse que não sabia e não acompanhou. Sendo que, há uma semana, ele dizia que tudo o que aconteceu no governo também eram méritos dele. Agora, com essas denúncias, quer se esquivar dizendo: ‘as coisas erradas eu não sabia’”, atacou.