Segundo o secretário os hospitais de portas abertas exigem estrutura permanente e custos mais elevados
O secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, saiu em defesa do modelo assistencial adotado para o Hospital Central, em Cuiabá, após declarações do senador Jayme Campos (União Brasil), que defendeu o funcionamento da unidade em regime de portas abertas. Para o gestor, a proposta ignora a organização da rede pública de saúde e elevaria significativamente os custos do sistema.
Segundo Juliano, o Hospital Central foi concebido para receber pacientes encaminhados pela rede estadual após o atendimento inicial em unidades de urgência e emergência, concentrando procedimentos de maior complexidade e garantindo continuidade ao tratamento.
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O secretário explicou que hospitais de portas abertas precisam manter uma estrutura permanente para atender qualquer tipo de ocorrência, o que exige equipes completas e disponibilidade integral de profissionais e equipamentos.
"O pronto-socorro de Cuiabá, o HMC, é um hospital porta aberta, preparado exclusivamente para fazer o primeiro atendimento de um trauma, da urgência e emergência. Lá tem cirurgião 24 horas, tem equipe e centro cirúrgico preparado para isso o tempo todo", afirmou.
De acordo com ele, esse tipo de organização demanda investimentos elevados e não pode ser reproduzido em todas as unidades hospitalares.
"É criado toda uma estrutura, chamada de porta aberta, que esteja preparada para isso. Não faz sentido todo hospital ser assim. Porque além de ser um custo gigantesco, não teria fluxo e volume de serviços", declarou.
A manifestação do secretário ocorre após Jayme Campos defender que o Hospital Central passe a receber pacientes diretamente, sem depender da regulação da rede pública.
Ao comentar o tema, o senador afirmou que pessoas vítimas de acidentes ou de violência deveriam poder procurar atendimento diretamente na unidade.
"A pessoa que quebrou um dedo, uma perna, tomou um tiro, tem que poder entrar no hospital. Sou contra hospital de porta fechada", disse.
Juliano rebateu o posicionamento e afirmou que o funcionamento da rede hospitalar depende da definição do papel de cada unidade.
"É fácil dizer: 'Todo hospital tem que ser 'porta aberta'. Não tem. O hospital precisa ser resolutivo e com qualidade dentro de um mapeamento adequado'", respondeu.
Na avaliação do secretário, ampliar o número de hospitais que realizam o primeiro atendimento de urgência não representa, necessariamente, melhora na assistência à população.
Ele defende que a prioridade seja fortalecer unidades especializadas capazes de concluir o tratamento iniciado em hospitais de emergência.
"Eu não preciso ter um grande número de hospitais que a gente chama de porta aberta. O que eu preciso ter? Hospitais que peguem aquele paciente que fez o primeiro atendimento na porta aberta e resolvam o problema dele", afirmou.
Segundo Juliano Melo, é exatamente essa a função atribuída ao Hospital Central dentro da estrutura estadual.
"O Hospital Central, por exemplo, é um hospital cirúrgico, pediátrico e adulto, que dá resolutividade final àqueles pacientes que fazem esse fluxo de porta", concluiu.