Candidato à reeleição voltou a citar a atuação de Wellington no DNIT e afirmou que o adversário não conseguiu responder às acusações feitas durante o debate
O governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou que as críticas direcionadas ao senador Wellington Fagundes (PL) durante o primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso não fazem parte de uma estratégia para desgastar o adversário. Segundo Pivetta, as declarações tiveram o objetivo de relembrar ao eleitor fatos relacionados à trajetória política do senador.
O confronto ocorreu na manhã desta terça-feira (18), durante debate promovido pelo Portal Primeira Página e pela Rádio Centro América. Em sua participação, Pivetta questionou a atuação de Wellington em Brasília e fez referências à passagem do senador por diferentes governos federais.
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“Não é estratégia, porque o povo precisa saber. O que eu falei ali é mais pura verdade e ele não contestou. Ele fugiu da resposta”, afirmou o governador ao comentar os ataques feitos durante o debate.
Pivetta voltou a mencionar a influência que atribui a Wellington sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Na avaliação do governador, o senador teria exercido forte influência sobre as obras das rodovias federais em Mato Grosso durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
“Ele mandou nas estradas de Mato Grosso, no governo Lula 1, Lula 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer e o Bolsonaro, que expulsou ele do DNIT”, declarou.
O governador também citou a relação política de Wellington com integrantes de administrações anteriores de Mato Grosso. Durante o debate, Pivetta associou o senador ao ex-governador Silval Barbosa e mencionou Cinésio Nunes de Oliveira, que ocupou a Secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana durante aquela gestão e posteriormente integrou a equipe de Wellington.
“Eu lembrei ali para que não fique também esquecido uma coisa tão importante”, justificou Pivetta ao explicar por que decidiu retomar episódios relacionados à trajetória do adversário.
Em outro momento do confronto, o governador questionou Wellington sobre a relação com Cinésio e fez referência a acusações de corrupção atribuídas ao ex-secretário durante a colaboração premiada de Silval Barbosa.
“O senhor foi parceiro do Silval na Secretaria de Obras, com o seu chefe de gabinete atual, Cinésio, e foi delatado pelo Silval por corrupção. O senhor quer voltar à cena do crime, agora, pedindo para o povo votar para ser governador de Mato Grosso?”, questionou.
Wellington rebateu a declaração e saiu em defesa de Cinésio. O senador afirmou conhecer o ex-secretário e argumentou que ele não possui condenação criminal.
“Eu posso garantir, eu conheço o Cinésio. Ele não tem nenhum processo que ele foi julgado e condenado”, respondeu.
Apesar da declaração de Wellington, Cinésio possui uma condenação por improbidade administrativa relacionada a uma investigação sobre fraude em licitação e superfaturamento de uma obra rodoviária executada durante o governo Silval Barbosa. Conforme a decisão judicial citada no caso, foi reconhecido dano ao erário de R$ 3,445 milhões, com determinação de ressarcimento e aplicação de multa aos envolvidos, em valores que chegam a aproximadamente R$ 6,89 milhões, além de juros e correção monetária.
O embate também envolveu a atuação de Wellington no DNIT. Pivetta afirmou que o senador teria concentrado influência sobre o órgão durante diferentes administrações federais. Wellington contestou a narrativa e defendeu sua atuação em Brasília, além de fazer críticas à gestão estadual e acusar o governo de beneficiar grupos específicos em contratos e obras.
O senador também tentou rebater as críticas fazendo referência à participação de Pivetta na administração do ex-governador Pedro Taques (PSB) e cobrou que o adversário apresentasse provas das acusações feitas durante o debate.
As emendas destinadas por Wellington durante sua trajetória no Congresso também devem entrar no confronto entre os dois candidatos ao longo da campanha.
Questionado sobre a promessa de explorar o tema em futuras discussões eleitorais, Pivetta afirmou que não houve espaço suficiente no primeiro debate para abordar o assunto.
“Hoje não teve essa, não deu para encaixar isso, mas ao longo da campanha vocês vão saber”, afirmou.
A troca de acusações sinaliza que a disputa entre Pivetta e Wellington deverá ser marcada por questionamentos sobre a atuação política de ambos, especialmente em relação às obras de infraestrutura, relações com governos anteriores e destinação de recursos públicos.