Apuração busca esclarecer presença, atividades desempenhadas e controle de frequência, o ex-deputado chamou denúncia de “fake news”
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou uma investigação para apurar uma possível ausência do ex-deputado estadual Ulysses Moraes (Podemos) no exercício das funções para as quais foi contratado como servidor comissionado da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A apuração teve início a partir de uma notícia de fato apresentada de forma anônima e também considera informações divulgadas anteriormente pela imprensa sobre a atuação do ex-parlamentar no Legislativo estadual.
O procedimento foi aberto em julho e busca verificar se Ulysses efetivamente desempenhava as atribuições relacionadas aos cargos que ocupou na Assembleia. O Ministério Público também pretende esclarecer se houve eventual falha de superiores responsáveis pelo acompanhamento das atividades do servidor.
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Entre as primeiras providências determinadas pelo promotor responsável pelo caso está o envio, pela ALMT, da ficha funcional de Ulysses e de toda a documentação relacionada à sua nomeação, mudanças de lotação e posterior exoneração.
O Ministério Público solicitou ainda registros que possam comprovar quais atividades eram realizadas pelo ex-servidor, informações sobre o mecanismo utilizado para controle de sua jornada e esclarecimentos a respeito da mudança de função ocorrida pouco antes da exoneração.
Ulysses ocupava inicialmente o cargo de Superintendente de Controle Interno de Fiscalização Financeira e Contábil da Assembleia. Posteriormente, antes de deixar o Legislativo, foi transferido para a Superintendência de Relações Internacionais.
Na época em que o caso veio a público, reportagens questionaram a presença do então servidor na Assembleia e sua atuação durante o horário de expediente. Segundo as informações divulgadas, Ulysses recebia aproximadamente R$ 19 mil e era pouco visto nas dependências do Legislativo.
O ex-deputado também teria utilizado parte desse período para participar de atividades políticas e manifestações relacionadas à sua atuação partidária.
A repercussão do caso aumentou após a divulgação das denúncias, que também provocaram cobranças públicas dentro da própria Assembleia. Em maio, Ulysses deixou o cargo a pedido.
Nas redes sociais, o ex-parlamentar negou que estivesse sendo alvo de investigação e classificou as informações divulgadas anteriormente como uma tentativa de criar uma narrativa contra ele.
“Fake news é crime. Não respondo a nenhum processo e já provei com documentos que foi uma mentira fabricada pela imprensa”, escreveu Ulysses em uma publicação relacionada ao assunto.
Apesar da declaração, o MPMT efetivamente instaurou procedimento para verificar os fatos. A investigação ainda está em fase inicial e depende, entre outras providências, das informações que deverão ser encaminhadas pela Assembleia Legislativa.
O procedimento deverá esclarecer se houve efetivo exercício das funções atribuídas a Ulysses durante o período em que esteve contratado, bem como se os mecanismos internos de fiscalização e controle da Assembleia foram cumpridos.