TENTA AFASTAR RESPONSABILIDADE

Justiça mantém preso motorista investigado por morte de menino de 4 anos; suspeito nega ter bebido

· 3 min de leitura
Justiça mantém preso motorista investigado por morte de menino de 4 anos; suspeito nega ter bebido
Na primeira foto como ficou o carro após o atropelamento, e do outro lado o acusado Gabriel Dombski Welter - Foto: Reproduçao

Em interrogatório, investigado afirmou que não havia ingerido bebida alcoólica e alegou que o carro atingido estava sem sinalização

A Justiça de Mato Grosso decidiu manter preso o motorista Gabriel Dombski Welter, de 21 anos, investigado pelo acidente que matou o menino Gabriel Gustavo dos Santos da Fontura, de 4 anos, e deixou outras duas pessoas feridas, na madrugada de domingo (12), em Sorriso (a 420 km de Cuiabá). Em audiência de custódia, o juiz plantonista Lener Leopoldo da Silva Coelho converteu a prisão em flagrante em preventiva, entendendo que há elementos suficientes para justificar a medida cautelar enquanto as investigações prosseguem.

Neste estágio da apuração, Gabriel é investigado, em tese, pelos crimes de homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, e por duas tentativas de homicídio. Para o magistrado, os indícios reunidos até o momento apontam que o motorista teria assumido o risco de provocar o resultado.

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Na decisão, o juiz destacou informações constantes dos autos indicando que o investigado teria ingerido bebida alcoólica antes da colisão, dirigia em alta velocidade por uma das principais avenidas da cidade e recusou-se a realizar o teste do bafômetro após o acidente.

Outro aspecto considerado pelo magistrado foi o fato de Gabriel estar com o direito de dirigir suspenso desde abril deste ano, em razão de uma autuação anterior por embriaguez ao volante. Mesmo impedido administrativamente de conduzir veículos, ele voltou a dirigir e acabou se envolvendo no acidente.

Para o juiz, esse histórico demonstra desrespeito às determinações legais e evidencia risco concreto de reiteração criminosa, razão pela qual medidas cautelares diversas da prisão não seriam suficientes para garantir a ordem pública. O magistrado observou, inclusive, que a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) anteriormente aplicada não impediu o investigado de voltar ao volante.

Com a decisão, Gabriel permanecerá preso enquanto o inquérito policial é concluído. Encerrada a investigação, caberá ao Ministério Público decidir pelo oferecimento de denúncia ou pela adoção das medidas cabíveis.

Durante o interrogatório prestado à Polícia Civil, Gabriel apresentou uma versão diferente da dinâmica considerada inicialmente pela investigação.

Ele relatou que saiu de casa, encontrou alguns amigos e, depois, seguia para casa quando o acidente ocorreu. Segundo o investigado, trafegava pela Avenida Blumenau, mas afirmou não se recordar da velocidade em que conduzia a Land Rover.

Gabriel também alegou que o veículo atingido não possuía sinalização que permitisse sua visualização.

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Momento do interrogatorio de Gabriel Gustavo dos Santos da Fontura - Vídeo: Reprodução/ Internet

"Eu tava descendo a Blumenau na mão direita. Eu não me lembro da velocidade que eu estava. Eu não me recordo. E, aparentemente, o carro estava sem sinalização", afirmou.

Ao ser questionado pelos policiais, o investigado esclareceu que se referia ao automóvel onde estavam as vítimas.

Segundo ele, o local da colisão era escuro e isso teria dificultado a visualização do veículo.

"Eu estava descendo e o carro estava bem numa esquina, onde é um lugar bem escuro (...). Tem uma árvore lá e foi embaixo daquela escuridão que eu não consegui enxergar. Aparentemente o carro estava sem sinalização. Eu não me lembro como ele entrou na minha frente ou como ele freou. Eu só me recordo da hora do impacto", declarou.

Gabriel afirmou ainda que, logo após a batida, desceu do veículo para prestar socorro às vítimas e que foi ele quem acionou os serviços de emergência.

"Eu desci do carro e fui prestar o socorro imediatamente. Eu mesmo [liguei para pedir socorro]", disse.

Questionado durante o interrogatório sobre eventual consumo de bebida alcoólica antes do acidente, o motorista negou.

"Não", respondeu ao ser perguntado se havia ingerido álcool.

A versão apresentada pelo investigado, no entanto, contrasta com os elementos apontados na decisão judicial, que menciona indícios de ingestão de bebida alcoólica e destaca a recusa do motorista em realizar o teste do etilômetro. Essas circunstâncias continuam sendo apuradas pela Polícia Civil.

De acordo com a apuração inicial da Polícia Militar, o acidente ocorreu por volta da 1h da madrugada.

O menino Gabriel Gustavo dos Santos da Fontura estava em um Fiat Palio acompanhado da mãe e do padrasto, que conduzia o veículo. Conforme as informações levantadas até o momento, o automóvel foi atingido na traseira pela Land Rover dirigida por Gabriel Dombski Welter.

Equipes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Polícia Militar foram mobilizadas para atender a ocorrência.

Apesar das tentativas de resgate, a criança morreu ainda no local.

A mãe do menino foi socorrida em estado grave e encaminhada ao Hospital Regional de Sorriso. Já o padrasto sofreu ferimentos leves e recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.

O velório e o sepultamento de Gabriel Gustavo dos Santos da Fontura ocorrem nesta segunda-feira (13), no Memorial Renascer, em Lucas do Rio Verde.