PROVAS CABAIS

Além de 914 ligações, Carlinhos buscou ajuda de cigana para reconquistar Thays

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Além de 914 ligações, Carlinhos buscou ajuda de cigana para reconquistar Thays

Polícia concluiu que a vítima bloqueou o número do ex-companheiro, que passou a utilizar novos chips para manter contato

A análise do conteúdo extraído dos celulares de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, revelou uma insistente tentativa de contato com a ex-companheira Thays Machado nos dias que antecederam o crime que vitimou ela e o namorado, Willian César Moreno. Segundo a investigadora da Polícia Civil Lívia Cristina Silva Sales, o empresário realizou aproximadamente 914 ligações para Thays entre 31 de dezembro de 2022 e 18 de janeiro de 2023, data dos assassinatos.

A policial prestou depoimento nesta sexta-feira (31), durante o Tribunal do Júri que julga Carlinhos pelos dois homicídios. Ela foi a quarta testemunha ouvida pela acusação e explicou que participou da perícia nos aparelhos eletrônicos apreendidos ao longo das investigações.

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De acordo com Lívia, os peritos analisaram quatro telefones pertencentes ao acusado, além de um aparelho de Thays e outro de Willian. O material revelou inúmeras conversas entre Carlinhos e a ex-companheira, que, segundo a testemunha, deixava claro que não pretendia retomar o relacionamento.

Outro elemento encontrado durante a perícia foi uma troca de mensagens envolvendo uma mulher identificada como cigana. Conforme a investigadora, o empresário procurou os serviços dela na tentativa de reconquistar Thays. Ainda assim, as investidas do acusado não surtiram efeito, já que a vítima manteve a decisão de encerrar definitivamente a relação.

Durante o julgamento, também foram lembradas as conclusões do inquérito conduzido pelo então delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcel Gomes de Oliveira. Conforme o investigador, dias antes do crime, durante as comemorações de Ano-Novo, Thays percebeu que estava sendo seguida por Carlinhos e decidiu confrontá-lo.

Segundo Marcel, a conversa terminou de forma hostil. O empresário teria voltado a questionar onde a ex-companheira estava, com quem permanecia e ainda a ofendido verbalmente.

As investigações apontam que o comportamento do acusado persistiu mesmo após o fim do relacionamento. Ainda conforme o delegado, Thays tentou manter uma convivência amigável, mas pediu diversas vezes que Carlinhos deixasse de procurá-la. Como as tentativas não cessaram, ela bloqueou o número do ex-companheiro. A investigação, entretanto, identificou que o empresário adquiriu novos chips telefônicos para continuar entrando em contato com a vítima.

Para a Polícia Civil, o conjunto de provas reunidas ao longo do inquérito indica que o crime foi planejado. Entre os elementos considerados está o fato de Carlinhos saber que Thays havia ido ao Aeroporto Marechal Rondon buscar Willian e conhecer o destino do casal após a chegada a Cuiabá.

Na tarde de 18 de janeiro de 2023, Thays e Willian foram mortos a tiros em frente ao edifício onde morava a mãe dela, no bairro Consil, em Cuiabá. O casal havia acabado de chegar ao local quando foi surpreendido pelos disparos.

Segundo a investigação, poucas horas antes do crime, Thays e o namorado teriam sido abordados por Carlinhos nas proximidades do aeroporto. Na ocasião, ela acionou a Polícia Militar pelo telefone 190 e relatou ter sido ameaçada com uma arma de fogo.

Durante o atendimento, a vítima foi orientada a procurar a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher para registrar formalmente a ocorrência e solicitar medidas protetivas, caso entendesse necessário. Conforme apurado pela Polícia Civil, isso não chegou a acontecer.

No fim da tarde do mesmo dia, Thays e Willian foram executados. Horas depois, Carlinhos Bezerra foi localizado e preso em uma propriedade rural da família.

Ao ser interrogado, o empresário admitiu a autoria dos disparos. Em sua versão, alegou sofrer de diabetes e afirmou que enfrentava um quadro de neuropatia, condição que, segundo ele, teria provocado um desequilíbrio emocional no momento do crime.