CASO ZAMPIERI

Acusados de matar advogado Roberto Zampieri vão a júri popular nesta terça

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Acusados de matar advogado Roberto Zampieri vão a júri popular nesta terça
Foto: Victor Ostetti

Assassinato motivado por disputa de fazenda de R$ 100 milhões deu origem a investigações sobre suposta venda de decisões judiciais

Os réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (28), acusados de participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri, de 57 anos. O crime ocorreu em dezembro de 2023, em Cuiabá, e deu origem a uma das maiores investigações envolvendo o Judiciário mato-grossense.

A sessão está marcada para começar às 9h, no Fórum da Capital, sob a condução do juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá.

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O Ministério Público de Mato Grosso denunciou os três por homicídio qualificado, sustentando que o crime foi cometido mediante promessa de recompensa, com recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de arma de fogo de uso restrito e atuação em concurso de pessoas.

De acordo com a acusação, o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria financiado a execução. Hedilerson Fialho Martins Barbosa é apontado como o responsável por intermediar o contato entre os mandantes e o executor do homicídio.

Já Antônio Gomes da Silva admitiu, durante as investigações, ter sido o autor dos disparos que atingiram Roberto Zampieri quando ele estava dentro do veículo, em frente ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde.

As investigações apontam que o assassinato teria sido motivado por um conflito envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, localizada em Paranatinga, propriedade avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões. O casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo é apontado como mandante do crime, mas responde em um processo distinto.

Durante o aprofundamento das investigações, a Polícia Federal identificou indícios da existência de um grupo denominado Comando C4 — sigla para "Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos". Conforme a apuração, a organização seria voltada à prática de crimes como espionagem clandestina e homicídios mediante contratação.

Segundo a PF, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas exerceria a liderança da organização criminosa.

Além dos réus já denunciados, também respondem em ação penal separada Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater.

A morte de Roberto Zampieri ultrapassou a esfera criminal e desencadeou uma série de investigações sobre um suposto esquema de negociação de decisões judiciais envolvendo magistrados de Mato Grosso e integrantes de tribunais superiores.

Um dos principais desdobramentos foi a Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal em 2024, que resultou na prisão do lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves.

As apurações indicam a existência de uma organização voltada ao pagamento de vantagens indevidas em troca de decisões judiciais favoráveis. O esquema teria alcançado integrantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e até gabinetes de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

As investigações também motivaram o afastamento, por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dos desembargadores João Ferreira Filho, Sebastião de Moraes Filho e Dirceu dos Santos, além do juiz Ivan Lúcio Amarante, da comarca de Vila Rica.

Posteriormente, Sebastião de Moraes Filho e Dirceu dos Santos foram aposentados compulsoriamente, mas continuam sendo investigados pelos órgãos competentes.