Gestor afirma que moradores têm medo de apagar símbolos por conta própria e sofrer represálias
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), defendeu nesta sexta-feira (23) a utilização de mão de obra prisional para remover inscrições e símbolos de facções criminosas espalhados por muros da capital. A proposta foi apresentada durante entrevista coletiva na entrega oficial da Unidade de Saúde da Família (USF) Doutor Fábio, quando o gestor também manifestou apoio ao projeto do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) que pretende reconhecer organizações criminosas como terroristas em Mato Grosso.
Abilio afirmou que está disposto a estabelecer uma parceria com o Governo do Estado para executar os serviços por meio da Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb). A iniciativa, segundo ele, permitiria recuperar paredes marcadas por siglas de grupos criminosos sem expor os moradores a possíveis ameaças.
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"Precisamos usar a mão de obra do preso, mão de obra prisional, para pintar todos esses muros aí que têm símbolos de facção. Eu mesmo, se o governador quiser, faço essa parceria com ele através da Limpurb", declarou.
Vídeo: Danilo Figueiredo Edição: Luana Ogiwara
A sugestão envolve a contratação de mão de obra de pessoas privadas de liberdade para realizar a pintura dos locais identificados. O prefeito, porém, não apresentou detalhes sobre custos, quantidade de trabalhadores ou prazo para a eventual execução do serviço.
Na avaliação de Abilio, a remoção das inscrições não deve ficar sob responsabilidade exclusiva dos proprietários dos imóveis, já que a identificação de facções nos muros pode provocar receio de represálias.
"Imagina a pessoa ir lá pintar o muro da própria casa tirando o símbolo de uma facção. O medo da retaliação que ela tem", argumentou.
O prefeito sustentou que a medida ultrapassa a questão da limpeza urbana e deve ser tratada como parte das ações de enfrentamento ao crime organizado. Para ele, eliminar essas marcações também representa uma forma de recuperar áreas onde moradores se sentem intimidados pela presença de grupos criminosos.
"Tirar as siglas de facção criminosa no muro da casa das pessoas é um ato de segurança pública e de reconquista do espaço público", afirmou.
Durante a coletiva, Abilio também declarou concordar com a iniciativa encaminhada por Pivetta à Assembleia Legislativa na quinta-feira (22). O projeto de lei propõe classificar, no âmbito estadual, facções criminosas como organizações terroristas e estabelecer protocolos específicos de atuação das forças de segurança.
"Concordo. Tem que colocar no estado de Mato Grosso as organizações criminosas, principalmente as facções criminosas, como organização narcoterrorista", disse.
A proposta do governador ainda depende da análise dos deputados estaduais. Já a utilização de mão de obra prisional para apagar símbolos de facções foi apresentada por Abilio como uma possibilidade de cooperação entre o município e o Estado, sem anúncio de acordo formalizado.