Apesar da confiança no candidato do PL, parlamentar afirma que somente a contagem dos votos definirá o resultado
O deputado federal e senador eleito José Medeiros (PL) avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá dificuldades para superar Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. O parlamentar acredita que o resultado do primeiro turno, somado à possibilidade de o candidato liberal conquistar eleitores de centro, coloca o petista diante de um desafio para reverter a diferença nas urnas.
Medeiros demonstrou confiança no desempenho de Flávio e afirmou que somente um acontecimento de grande repercussão negativa poderia comprometer sua candidatura. Para ilustrar a avaliação, utilizou uma declaração em tom de ironia.
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“Eu tenho a impressão de que [Lula vencerá] a menos que o Flávio dê uma surra na mãe na fila do INSS. Não vejo como o Lula tirar essa diferença”, afirmou.
Na primeira etapa da eleição presidencial, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,16%. A diferença entre os dois chegou a 2.224.965 votos.
Mesmo diante desses números, Medeiros evitou tratar o segundo turno como uma disputa já definida. Ele ressaltou que a confiança dos aliados está relacionada à expectativa de que Flávio consiga conservar a dianteira obtida nas urnas.
“Não é que já ganhou, mas tudo se encaminha para a manutenção do status do primeiro turno. A gente está com uma expectativa de vitória muito grande. Agora, como dizia o filósofo: 'eleição é que nem garimpo, só depois da apuração'”, declarou.
Para o senador eleito, uma das principais diferenças entre Flávio e o ex-presidente Jair Bolsonaro está na forma de se relacionar com o público. Embora considere que o filho tenha herdado parte expressiva da força eleitoral do pai, Medeiros entende que seu comportamento pode facilitar o diálogo com pessoas que não se identificavam com o estilo do ex-chefe do Executivo.
Ele citou especialmente os eleitores que, na eleição de 2022, apoiaram Lula por rejeição a Jair Bolsonaro, mas que não necessariamente possuem afinidade política com o Partido dos Trabalhadores.
“É um candidato que é palatável a esse público. Tem o fator juventude, é uma pessoa bem instruída, fala calma, conversa, não se irrita, não dá resposta ríspida para o entrevistador. O Flávio se comunicou muito bem com esse eleitor”, avaliou.
Na interpretação de Medeiros, parte desse eleitorado pode encontrar no senador uma alternativa mais próxima de suas posições políticas, apesar da resistência ao nome da família Bolsonaro.
“Tem aquele eleitor de centro que não gosta do nome Bolsonaro, mas ele não tem ojeriza às pautas e ao que o Flávio defende”, disse.
O parlamentar também recorreu à própria experiência eleitoral para dimensionar a influência do ex-presidente sobre candidatos apoiados por ele. Medeiros lembrou que, na disputa suplementar ao Senado em 2020, conquistou aproximadamente 138,9 mil votos. Já na eleição deste ano, recebeu cerca de 977,7 mil.
Ele relacionou o crescimento de sua votação ao apoio de Jair Bolsonaro e afirmou que o mesmo respaldo político beneficia a candidatura presidencial de Flávio.
“Esse é o retrato puro do que foi essa avalanche de votos, o fato de o Bolsonaro estar como meu avalista, e o Bolsonaro também é o avalista do Flávio”, afirmou.
Apesar de reconhecer a importância dessa transferência de apoio, Medeiros considera que Flávio apresenta características próprias que podem atrair um público diferente daquele tradicionalmente identificado com o pai.
Para explicar essa distinção, o senador eleito comparou os dois políticos a versões de um mesmo refrigerante, classificando o ex-presidente como a opção tradicional e o filho como uma alternativa mais suave.
“O Flávio veio light. O Bolsonaro seria a Coca normal e o Flávio é a Coca Zero. Quem quer um produto mais light é o Flávio. E eu acho que esse valor agregado é que vai acabar trazendo a eleição”, concluiu.
As declarações refletem a avaliação política de Medeiros sobre o segundo turno. A definição da disputa dependerá da votação e da apuração oficial.