CREDIBILIDADE EM DEBATE

Ranalli rejeita desconfiança sobre CPI da Educação e defende idoneidade dos vereadores

· 2 min de leitura
Ranalli rejeita desconfiança sobre CPI da Educação e defende idoneidade dos vereadores
Foto: Rogério Florentino

Parlamentar diz acreditar na capacidade dos integrantes e afirma que atuação deve ser avaliada pelos resultados

O vereador Rafael Ranalli (PL) defendeu a composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Educação, instalada na Câmara Municipal de Cuiabá para investigar suspeitas de irregularidades na aquisição de materiais didáticos durante a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL). O parlamentar afirmou que não vê problemas na presença de vereadores ligados ao chefe do Executivo entre os integrantes da comissão e considera precipitado questionar a credibilidade da investigação antes do início efetivo dos trabalhos.

Durante entrevista, Ranalli lembrou que as suspeitas envolvendo a compra de livros foram divulgadas pelo próprio prefeito, que também tornou públicas as denúncias sobre as aquisições.

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Segundo o vereador, essa circunstância ajuda a explicar a participação de parlamentares próximos à administração municipal na comissão responsável pela apuração.

"Eu acho que, por ser uma CPI que foi comentada e fomentada com a própria denúncia do Abilio, é natural também serem pessoas ligadas a ele de alguma maneira, até porque partiu de lá essa denúncia também", afirmou.

Ranalli também destacou que a escolha dos integrantes da CPI ocorreu dentro dos procedimentos adotados pela Câmara e que eventuais insatisfações com a composição podem ser manifestadas pelos próprios vereadores.

O parlamentar citou Demilson Nogueira (PP), presidente da comissão, e afirmou que não identificou nenhuma situação que, por si só, comprometa a legitimidade da investigação.

"Não vi nada de estranho, anormal nesse sentido", declarou.

Questionado se confiaria em uma CPI formada exclusivamente por parlamentares de um campo político contrário ao investigado, Ranalli reconheceu que a diversidade de posicionamentos pode fazer parte da composição de uma comissão parlamentar.

No entanto, rejeitou a ideia de que a proximidade política com o prefeito seja suficiente para colocar em dúvida a atuação dos vereadores escolhidos.

"Eu acho que pode ter a mescla. Agora, você está questionando a idoneidade dos colegas que foram indicados. Então chame eles aqui e mande eles se posicionarem", respondeu.

O vereador ressaltou que mantém relacionamento institucional com os demais parlamentares e afirmou que não pretende antecipar avaliações sobre a conduta dos integrantes da CPI.

"Eu acredito na idoneidade deles até que se prove o contrário. Então não vejo problema nesse sentido", acrescentou.

Ao ser questionado sobre o risco de a CPI terminar sem resultados concretos, Ranalli afirmou que essa possibilidade somente poderá ser avaliada após a conclusão das investigações.

O parlamentar argumentou que não seria razoável considerar o trabalho comprometido antes mesmo de analisar as provas, os encaminhamentos e as conclusões produzidas pela comissão.

"Se terminar em pizza, vamos ver o resultado, né? Vamos ver o que vai sair dela, se vai ter encaminhamento, se vai ser encaminhado para as outras autoridades", afirmou.

Para reforçar seu posicionamento, Ranalli mencionou sua experiência anterior na condução de uma CPI, quando concluiu que um contrato investigado possuía valor elevado, mas não apresentava ilegalidade, segundo sua avaliação.

Ele destacou que, naquela ocasião, integrava a base de apoio ao Executivo e que o resultado da investigação provocou opiniões divergentes.

"Não vejo problema até a gente ver os resultados e ver a condução dos trabalhos", disse.

Ranalli concluiu defendendo que a comissão tenha condições de desenvolver as apurações antes de receber críticas sobre uma eventual falta de independência.

"A gente já partir do pressuposto que vai terminar em pizza, então nem abriria, nem botaria para trabalhar. Acredito que tem que esperar o resultado", finalizou.

A CPI da Educação tem como objetivo apurar possíveis irregularidades em aquisições realizadas pela Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá. As conclusões dependerão da análise dos documentos, depoimentos e demais elementos reunidos durante os trabalhos.