Segundo parlamentar, quantia encontrada na mochila do colega teria origem em empréstimo para pagamento de reforma
O vereador por Cuiabá Alex Rodrigues afirmou que pretende buscar esclarecimentos sobre os motivos que levaram à realização de buscas em sua residência no âmbito da investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura suspeitas de irregularidades envolvendo a disputa pela presidência da Câmara Municipal de Várzea Grande. O parlamentar nega qualquer participação no suposto esquema e sustenta que não foram encontrados materiais ilícitos durante uma abordagem policial realizada após um almoço em uma chácara.
Em entrevista, Alex explicou que estava acompanhado do vereador Ilde Taques e de seu chefe de gabinete quando o veículo em que viajavam foi interceptado por policiais. Segundo ele, os três retornavam de uma confraternização promovida pelo vereador Miguel, de quem afirmou ser amigo pessoal.
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O parlamentar relatou que havia sido convidado para o almoço e que Ilde decidiu acompanhá-lo após saber do encontro. Ele negou que a viagem tivesse relação com articulações políticas em Várzea Grande.
De acordo com Alex, os agentes informaram que a abordagem havia sido motivada por uma denúncia anônima, que apontava suspeitas de que o automóvel pudesse ser clonado e estivesse transportando armas ou entorpecentes.
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O vereador ressaltou que não se tratou de uma blitz de trânsito, mas de uma abordagem direcionada. A defesa, segundo ele, já solicitou acesso ao conteúdo da denúncia que teria motivado a ação policial.
Durante a fiscalização, os ocupantes foram revistados separadamente. Alex afirmou que os policiais examinaram o veículo pertencente ao seu chefe de gabinete e também sua mochila, utilizada para transportar notebook e documentos de trabalho, sem localizar objetos ilícitos.
Na sequência, os agentes encontraram R$ 40 mil em espécie na mochila de Ilde Taques. Conforme Alex, o dinheiro pertencia exclusivamente ao colega e não tinha qualquer ligação com ele ou com seu assessor.
O parlamentar afirmou que Ilde explicou aos policiais que havia obtido a quantia por meio de um empréstimo e pretendia utilizá-la para pagar uma reforma. Segundo seu relato, o vereador apresentou uma nota promissória e teria providenciado documentação complementar para justificar a origem dos recursos.
Alex também declarou que o dinheiro não foi apreendido e sustentou que o relatório do Gaeco não estabeleceu relação entre a quantia e as suspeitas de compra de votos na eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande. Essas afirmações correspondem à versão apresentada pelo vereador e não representam uma conclusão independente sobre o conteúdo integral da investigação.
Ao comentar a possibilidade de a abordagem ter sido planejada para prejudicar sua imagem política, Alex evitou apontar responsáveis. Ele mencionou, no entanto, que teve conhecimento de imagens feitas por drone durante a confraternização.
"Eu não posso afirmar isso", respondeu ao ser questionado sobre uma possível armação.
O vereador afirmou acreditar que os policiais agiram em razão das informações recebidas e destacou que os ocupantes colaboraram com os procedimentos, sem solicitar a presença de advogados naquele momento.
Segundo Alex, todos foram liberados após a abordagem. Ele relatou que a determinação ocorreu depois de contato de um responsável pelo Gaeco com os policiais que estavam no local.
Apesar disso, o parlamentar questionou a necessidade de medidas posteriores contra ele, especialmente a busca realizada em sua residência.
"Eu quero entender por que uma busca e apreensão na minha casa se no relatório do Gaeco não tem absolutamente nada", declarou.
Alex afirmou que seus advogados irão analisar a documentação para compreender os fundamentos das medidas autorizadas no curso da investigação. Ele também alegou que sua trajetória como vereador e sua passagem pela administração municipal não apresentam episódios que comprometam sua conduta.
Ao final, o parlamentar voltou a afirmar que sua presença na chácara ocorreu exclusivamente por motivos pessoais e reconheceu que o episódio acabou provocando consequências políticas.
"O erro meu mesmo, igual eu falei, foi estar no lugar errado, na hora errada", disse.
Questionado se o almoço havia se tornado indigesto diante dos desdobramentos da investigação, respondeu: "Tá dando indigestão, né, cara? Eu fui num almoço de um grande amigo meu".
A investigação conduzida pelo Gaeco apura suspeitas relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. A presença de pessoas em uma abordagem ou a citação de seus nomes em documentos investigativos, por si só, não comprova participação em eventuais irregularidades.