ELEIÇÕES 2026

Wellington troca vice pela terceira vez em apenas 23 dias e escolhe “Rei do Porco”

· 3 min de leitura
Wellington troca vice pela terceira vez em apenas 23 dias e escolhe “Rei do Porco”
Foto: Assessoria

Reinaldo Morais substitui Alencar Farina, que deixou a disputa após parecer jurídico apontar risco de inelegibilidade

O empresário Reinaldo Morais (Novo), conhecido como “Rei do Porco”, foi confirmado como candidato a vice-governador na chapa de Wellington Fagundes (PL), nesta quinta-feira (13). Ele substitui o médico Alencar Farina (PL), que deixou a composição após pareceres jurídicos apontarem risco de inelegibilidade em razão de contratos mantidos com o poder público.

A escolha de Reinaldo representa a terceira mudança no posto de vice em um intervalo de apenas 23 dias. A sequência de alterações começou com Marcelo Maluf (Novo), passou por Farina e terminou, até o momento, com a indicação de Reinaldo. As sucessivas trocas expuseram divergências internas e provocaram pressão de lideranças estaduais e nacionais sobre a composição da chapa.

O presidente estadual do PL, Ananias Filho, admitiu nesta quinta-feira que a definição sofreu interferência externa justamente quando Marcelo Maluf estava praticamente confirmado. O dirigente classificou como “abrupta” a entrada de lideranças nacionais nas negociações.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

Nos bastidores, Reinaldo vinha sendo apontado como um nome próximo ao núcleo formado por Jair e Michelle Bolsonaro. A indicação também passou a ser vista como uma tentativa de aproximar Wellington da ala mais ligada ao ex-presidente, depois dos desgastes provocados pela aliança com o MDB e pelas mudanças na formação da chapa.

Empresário do agronegócio, Reinaldo ganhou notoriedade em Mato Grosso pelo trabalho no setor de suinocultura, que lhe rendeu o apelido de “Rei do Porco”. Ele também se tornou conhecido entre apoiadores de Bolsonaro após aparecer, em 2024, em um vídeo no qual fazia uma oração e passava óleo ungido nos pés do ex-presidente durante uma visita a Mato Grosso.

Reinaldo já disputou uma vaga ao Senado na eleição suplementar de 2020 e, dois anos depois, participou de articulações políticas ligadas ao bolsonarismo no Estado.

Durante coletiva nesta quinta-feira, Farina explicou que havia aceitado inicialmente o convite para compor a chapa, mas informou desde o começo que precisaria resolver pendências relacionadas à sua atuação profissional.

“Ele me ligou na semana passada e falou: ‘Farina, você vai ser meu vice’. Eu respondi: ‘Wellington, eu tenho alguns problemas para resolver. Além de médico do SUS e concursado aqui em Várzea Grande, sou empresário e proprietário do Hospital Santa Rita de Várzea Grande’.”

A situação foi analisada pelas equipes jurídicas do partido. Segundo Farina, os pareceres emitidos no último domingo indicaram que sua candidatura poderia enfrentar questionamentos na Justiça Eleitoral.

“Começamos a nos reunir com o jurídico. Tentamos resolver até este domingo, quando tivemos um parecer final do jurídico nacional e do nosso jurídico regional sobre as dificuldades. Nós poderíamos ir, mas teríamos problemas jurídicos.”

Wellington afirmou que a falta de desincompatibilização dentro do prazo poderia comprometer não apenas a candidatura de Farina, mas toda a chapa.

“O fato de não ter ocorrido a desincompatibilização poderia levar à inelegibilidade de toda a chapa”, declarou.

Diante do impasse, o próprio Farina afirmou ter sugerido o nome de Reinaldo Morais para ocupar a vaga.

“Como havia a possibilidade do Reinaldo Morais, eu disse: ‘Poxa, excelente nome. Ele traz o Novo, que já está conosco, e a chapa fica ainda mais reforçada, especialmente após aquele problema com o Marcelo’.”

Segundo Farina, Wellington aceitou a sugestão.

“Ele concordou: ‘Então vamos em frente, nós temos que ganhar a eleição e pronto’.”

A escolha mantém o Novo na composição majoritária, mesmo após a saída de Marcelo Maluf, e coloca novamente um nome associado ao bolsonarismo na posição de vice.

A confirmação de Reinaldo encerra, ao menos por enquanto, uma sequência marcada por três nomes diferentes para a vice de Wellington em apenas 23 dias.

A primeira escolha foi Marcelo Maluf, indicado pelo Novo. Na ocasião, a composição chegou a ser tratada publicamente como definida. Posteriormente, Wellington alterou a formação e anunciou Alencar Farina para a vaga.

A mudança provocou reação de Maluf, que acusou Wellington e o PL de descumprirem um compromisso político que, segundo ele, havia sido construído entre as legendas.

O cenário voltou a mudar após a análise jurídica da situação de Farina. Ao mesmo tempo, a participação de lideranças nacionais nas negociações aumentou a pressão sobre a definição da chapa.

Ananias reconheceu que a interferência ocorreu de maneira “abrupta” quando Maluf já estava praticamente escolhido. Com a saída de Farina por questões jurídicas, Reinaldo passou a ser o nome escolhido para ocupar a vaga.