"LAÇO OCULTO"

Servidora é extorquida em R$ 1,1 milhão e operação mira envolvidos em esquema de ameaças

· 3 min de leitura
Servidora é extorquida em R$ 1,1 milhão e operação mira envolvidos em esquema de ameaças
Foto: Reprodução/PJC-MT

Polícia Civil cumpre 14 ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande, com bloqueios que podem ultrapassar R$ 3,3 milhões; servidores públicos e um policial militar estão entre os investigados

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso revelou um esquema de extorsão que teria causado um prejuízo de R$ 1,1 milhão a uma servidora pública estadual, mantida sob ameaças e pressão psicológica durante cerca de quatro anos. Nesta terça-feira (21), a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá deflagrou a Operação Laço Oculto, com o cumprimento de 14 medidas judiciais em Cuiabá e Várzea Grande.

Segundo o delegado Hugo Abdon Lima, responsável pela investigação, a operação tem como objetivo não apenas reunir provas sobre o esquema, mas também recuperar os valores que teriam sido retirados da vítima por meio da extorsão.

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“Essa operação tem como objetivo o cumprimento de 14 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e veículos, além de quebras de sigilo e apreensão de aparelhos celulares que possam corroborar com as investigações”, explicou.

Entre os investigados estão servidores públicos vinculados à Secretaria de Estado de Saúde (SES), um policial militar e outras pessoas que, segundo a investigação, teriam ligação com o fluxo financeiro dos valores obtidos por meio da extorsão. A SES informou que colaborou com as investigações, enquanto a Corregedoria da Polícia Militar participa do cumprimento das ordens judiciais.

De acordo com o delegado, a vítima teria sido extorquida durante quatro anos, sob grave ameaça, e repassado cerca de R$ 1,1 milhão ao grupo investigado.

“Uma vítima foi extorquida ao longo de quatro anos, mediante grave ameaça, e fez com que repassasse o valor de R$ 1,1 milhão a um grupo criminoso. Grupo criminoso esse que é composto por alguns servidores públicos aqui do Estado de Mato Grosso”, afirmou.

Segundo o inquérito, a vítima, que também é servidora da SES, teria sido submetida entre 2022 e 2025 a um processo contínuo de intimidação e manipulação psicológica. Uma colega de trabalho teria criado uma história sobre supostas dívidas com agiotas e ameaças contra a vítima e seus familiares, passando a exigir pagamentos sucessivos sob o argumento de que os valores seriam usados para quitar essas dívidas.

Com medo, a servidora teria contraído empréstimos, realizado saques em cartões de crédito, resgatado recursos de previdência privada e utilizado dinheiro que seria destinado à construção da própria residência. Ela também teria sido convencida a financiar uma caminhonete em seu nome, que seria utilizada por uma pessoa ligada à principal investigada.

A situação chegou ao conhecimento da polícia depois que o marido da vítima percebeu mudanças no comportamento dela, descobriu o que estava acontecendo e conseguiu interromper o contato com a investigada.

Ainda conforme Hugo Abdon, os investigados teriam conhecimento da rotina da vítima, que também é servidora pública, o que teria facilitado a ação do grupo.

O delegado explicou que a equipe da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá adotou a estratégia conhecida como “follow the money”, expressão utilizada para definir o rastreamento do caminho percorrido pelo dinheiro.

“O trabalho da Delegacia de Roubos e Furtos de Cuiabá, através da nossa equipe investigativa, foi traçar o caminho do dinheiro, o ‘follow the money’, para que não só possamos reprimir as condutas criminosas, mas também possamos reaver esses valores que foram extorquidos da vítima”, destacou.

Além da extorsão, a investigação apura possíveis crimes de receptação, lavagem de dinheiro e agiotagem. Segundo o delegado, os bloqueios de valores solicitados judicialmente ultrapassam R$ 3 milhões, além do sequestro de veículos e outros bens que possam estar relacionados ao esquema.

As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, após manifestação favorável do Ministério Público. A decisão também permitiu a apreensão de veículos, bens e dispositivos eletrônicos que possam contribuir para o avanço das investigações.

O nome Laço Oculto faz referência ao vínculo de medo e dependência psicológica que, segundo a investigação, teria sido criado para manter a vítima sob controle e garantir a continuidade dos repasses financeiros.

A operação busca recuperar os valores retirados da vítima e reunir provas que permitam esclarecer a participação de cada investigado e verificar a existência de outros crimes relacionados ao esquema.