Presidente do TCE-MT evita entrar na disputa política e afirma que fatos deverão ser esclarecidos pelas autoridades
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, afirmou que é preciso cautela diante das repercussões provocadas pela Operação Heritage, principalmente porque a investigação envolve figuras de destaque da política estadual. Entre os nomes alcançados pela operação estão o ex-secretário-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho, o ex-governador e candidato ao Senado Mauro Mendes (União) e o deputado federal Fábio Garcia (União).
Ao comentar o caso, Sérgio Ricardo evitou antecipar qualquer julgamento sobre os investigados e reforçou que a responsabilidade de cada um deverá ser definida somente após o avanço das apurações.
Para o conselheiro, o fato de a operação ter ocorrido durante o período eleitoral aumenta a repercussão política do caso, mas não deve substituir a análise dos fatos pelas autoridades responsáveis.
“Todo mundo é inocente até prova em contrário. Então, eu penso que é uma situação que vai se alongar, vai se alongar porque envolve muitas pessoas. Ela acontece num momento eleitoral... e não tem como o processo eleitoral não sofrer com esses acontecimentos. Mas eu espero, e não tenho dúvida nenhuma, que tudo vai ser apurado. Se tiver culpado, culpado vai ser apontado; se não, inocentados”, declarou.
O presidente do TCE-MT também procurou se manter distante das disputas políticas que surgiram após a deflagração da Heritage. Segundo ele, cabe às instituições responsáveis conduzir a investigação e apresentar as conclusões sobre o caso.
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“Esse é um assunto delicado para eu tratar, porque eu não estou no processo político, eu não gosto de ficar fazendo essas análises políticas, porque tudo o que tiver que ser apurado, tudo o que tiver que ser denunciado, e tudo o que for denunciado, vai ser apurado. Hoje nós temos as instituições fortes no Brasil. Então, eu vejo como nada passar batido ou nada passar em branco com relação a tudo isso que está acontecendo”, afirmou.
Sérgio Ricardo reconheceu que uma investigação de grande proporção, especialmente quando ocorre em meio às movimentações eleitorais, tende a provocar impactos no cenário político. Ainda assim, defendeu que o foco permaneça na apuração dos fatos e que eventuais consequências sejam definidas com base nas provas produzidas ao longo do processo.
A Operação Heritage foi realizada pela Polícia Federal mediante autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação tem como foco uma operação financeira de R$ 308 milhões envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.
O inquérito apura suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso de informação privilegiada. As autoridades também investigam uma possível estrutura financeira envolvendo fundos ligados ao Banco Master.
A apuração alcança ainda órgãos da estrutura estadual, entre eles a Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Até o momento, a investigação permanece em andamento e não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal dos citados.