FEMINICÍDIO NA CAPITAL

Réu por matar mulher enquanto ela dormia vai a júri popular; crime ocorreu no Parque Cuiabá

· 2 min de leitura
Réu por matar mulher enquanto ela dormia vai a júri popular; crime ocorreu no Parque Cuiabá
Jackson Pinto da Silva foi preso suspeito de matar Nilza Moura de Souza Antunes — Foto: Reprodução

Investigação indica que acusado utilizou retroescavadeira para ocultar o corpo da esposa após o assassinato

A Justiça de Mato Grosso determinou que Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, seja submetido ao Tribunal do Júri pela morte da esposa, Nilza Moura de Souza Antunes, de 64 anos. A decisão reconhece a existência de indícios suficientes para que o caso seja apreciado por jurados, mas a data do julgamento ainda não foi marcada.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o crime ocorreu em maio deste ano, dentro da residência do casal, no bairro Parque Cuiabá, em Cuiabá. A acusação aponta que Nilza foi morta enquanto dormia, por meio de asfixia provocada com uma braçadeira de nylon, circunstância que teria impedido qualquer possibilidade de reação.

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Para o Ministério Público, o homicídio foi praticado em contexto de violência doméstica e familiar e reúne os elementos que caracterizam o crime de feminicídio, por ter sido cometido em razão da condição de mulher da vítima.

Além da qualificadora relacionada ao gênero, a investigação também atribui ao acusado motivação financeira. Conforme consta na denúncia, após a morte da esposa, Jackson teria realizado movimentações para obter vantagens patrimoniais, entre elas a transferência de R$ 18 mil do cartão de crédito da vítima para uma conta de sua titularidade.

As investigações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontaram ainda que o corpo de Nilza foi escondido em um terreno de sua propriedade. A vítima foi encontrada enterrada em uma cova com cerca de dois metros de profundidade, aberta nos fundos do imóvel.

Durante a apuração, a Polícia Civil constatou que o suspeito contratou uma retroescavadeira antes do crime sob a justificativa de que faria um poço. Após a ocultação do cadáver, o equipamento teria sido novamente utilizado para cobrir e nivelar o terreno, dificultando a localização do corpo.

Responsável pelas investigações, o delegado Caio Albuquerque afirmou que as diligências reforçaram a hipótese de planejamento prévio.

"Ele mesmo disse que alugou uma máquina retroescavadeira com o argumento de fazer um poço. Depois que ele jogou a terra por cima do corpo, ele chamou novamente o maquinário para nivelar o terreno. Isso foi confirmado pelas pessoas que prestaram o serviço", declarou.

Com a decisão de pronúncia, o processo seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida. A defesa do acusado ainda poderá recorrer da decisão antes da realização da sessão de julgamento.

Mulheres em situação de violência doméstica em Mato Grosso contam com o aplicativo SOS Mulher MT, ferramenta que reúne serviços de proteção e canais de denúncia. O sistema disponibiliza o Botão do Pânico para vítimas amparadas por medida protetiva nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis.

Nos demais municípios, a plataforma permite solicitar medidas protetivas, registrar ocorrências pela Delegacia Virtual, consultar contatos de emergência e acessar informações sobre a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência.

A Lei Maria da Penha assegura mecanismos de proteção contra diferentes formas de violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral e autoriza que a vítima solicite medidas protetivas diretamente em delegacias, no Ministério Público ou na Defensoria Pública, sem a necessidade de advogado.