Leandro Fagundes Luiz desapareceu após sair de casa para realizar um saque bancário em março de 2025; segundo a denúncia, ele teria sido levado a uma casa abandonada e submetido a um “tribunal do crime”
Oito pessoas acusadas de envolvimento na morte de Leandro Fagundes Luiz, ocorrida em março de 2025, em Alto Taquari, serão submetidas ao Tribunal do Júri. A decisão foi tomada pela Vara Única do município após o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apresentar elementos que, na avaliação da Justiça, são suficientes para levar o caso à fase de julgamento popular.
Foram pronunciados Jeanderson Alves da Silva, André Júnior Rosa de Oliveira, Paulo Henrique Freitas Lopes, Ranniê Martins Corrêa, Ryan Crhistian Rodrigues de Souza, Jefferson Lima Pereira, Carlos Andriel Ferreira Bastos e Monis Kleia Carmo da Silva. Eles respondem por homicídio triplamente qualificado, além de ocultação de cadáver, corrupção de menores e participação em organização criminosa.
O crime ocorreu em 28 de março de 2025. Segundo a acusação, Leandro deixou a residência pela manhã para sacar dinheiro em nome da avó, mas não voltou para casa. A investigação aponta que ele teria sido levado para uma casa abandonada localizada nas proximidades do Lago Municipal, onde teria ocorrido uma espécie de julgamento promovido por integrantes de uma organização criminosa.
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A suspeita apresentada pelo MPMT é de que a morte tenha sido motivada por um episódio anterior envolvendo Leandro e uma adolescente. A partir desse fato, integrantes do grupo criminoso teriam decidido aplicar uma punição contra a vítima.
Ainda conforme a denúncia, a execução teria envolvido diferentes integrantes da organização. Alguns teriam participado diretamente da ação no imóvel, enquanto outros, que estavam presos em uma unidade prisional de Rondonópolis, teriam acompanhado e orientado o que acontecia por meio de videochamada.
A acusação sustenta que Leandro foi submetido a agressões durante um período prolongado antes de ser morto. O corpo, entretanto, nunca foi encontrado.
A inexistência de cadáver não foi considerada suficiente para impedir a pronúncia. Na decisão, o juízo apontou que outros elementos reunidos durante a investigação podem demonstrar a ocorrência do crime, entre eles conversas obtidas a partir de celulares apreendidos, depoimentos de policiais e reconhecimentos realizados por meio de fotografias.
Uma das acusadas, segundo o processo, seria mãe de uma das adolescentes relacionadas ao episódio que antecedeu a morte. Ela teria procurado uma liderança da organização criminosa e solicitado que fosse aplicada uma punição a Leandro. Posteriormente, conforme a denúncia, teria tido acesso a um vídeo que registrou a execução.
Além de reconhecer a existência de indícios suficientes para levar os acusados a julgamento, a Justiça manteve as três qualificadoras atribuídas ao homicídio: motivo torpe, emprego de tortura e utilização de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
A decisão de pronúncia não representa condenação dos acusados. Nessa etapa, cabe ao Tribunal do Júri analisar posteriormente a responsabilidade de cada réu e decidir se houve ou não a prática dos crimes imputados pelo Ministério Público.
Os oito permanecem presos preventivamente. Com a pronúncia, o processo entra agora na etapa de preparação para o julgamento pelo Tribunal do Júri.