Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas queria ser levado para Belo Horizonte, onde vivem seus familiares, mas magistrado considerou mais adequada a permanência em Brasília
O coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas continuará preso em Brasília até o julgamento pela morte do advogado Roberto Zampieri. A decisão é do juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, que rejeitou o pedido para que o militar fosse transferido para uma unidade prisional em Belo Horizonte, cidade onde vivem seus familiares.
A decisão foi proferida na última quinta-feira (13). Caçadini é apontado pela acusação como responsável pelo financiamento do assassinato de Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023, na Capital.
Na avaliação do magistrado, apesar de haver vagas disponíveis em Minas Gerais e da possibilidade de o coronel ficar mais próximo da família, a unidade do Exército em Brasília continua sendo a opção mais adequada neste momento.
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Entre os motivos considerados está uma determinação anterior do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada à custódia do militar. O juiz também levou em conta a necessidade de preservar a segurança e garantir o andamento das investigações.
A realização do Tribunal do Júri também pesou na decisão. O julgamento de Caçadini está previsto para 29 de setembro, em Cuiabá, e, segundo o magistrado, a estrutura de transporte aéreo de Brasília facilita o deslocamento do acusado para Mato Grosso quando necessário.
Outro ponto considerado foi a situação de saúde do coronel. Para o juiz, a capital federal oferece estrutura médica e equipe especializada mais adequada para atender eventuais necessidades durante o período de prisão.
Com a negativa do pedido, Caçadini permanecerá custodiado em Brasília até a realização do julgamento.
O assassinato de Zampieri resultou na denúncia de nove pessoas pelo Ministério Público de Mato Grosso. A acusação foi apresentada em maio pelos promotores Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida.
Aníbal e Elenice são apontados como mandantes do crime e foram denunciados por homicídio qualificado.
Também respondem à ação Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, indicado como financiador e líder do chamado Comando C4; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado como intermediário e proprietário da arma; e Antônio Gomes da Silva, acusado de executar o advogado.
Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater também foram denunciados sob acusação de integrar o grupo criminoso que teria sido contratado para realizar o assassinato.
As primeiras apurações foram conduzidas pela Polícia Civil de Mato Grosso. Posteriormente, a Polícia Federal aprofundou as investigações.
Zampieri foi morto em 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Segundo a investigação, o executor aguardou a saída do advogado nas proximidades do escritório por aproximadamente uma hora. Quando Zampieri entrou em sua Fiat Toro, foi surpreendido e atingido por pelo menos dez disparos.
Na ocasião, o advogado carregava cerca de R$ 11 mil.
A execução foi registrada por câmeras de segurança de imóveis próximos. As imagens mostram o atirador utilizando uma caixa para ocultar parte do armamento e tentar diminuir o barulho dos tiros. O objeto foi posteriormente localizado em frente a outro escritório de advocacia situado nas proximidades.
Caçadini, Hedilerson e Antônio chegaram a ocupar o banco dos réus em 28 de julho. A sessão, entretanto, não chegou ao fim porque um dos jurados passou mal.
Por causa do incidente, o Tribunal do Júri precisou ser remarcado. A nova data foi definida para 29 de setembro, em Cuiabá.