Ex-governador foi denunciado por corrupção passiva em investigação que aponta prejuízo estimado em R$ 161 milhões aos cofres públicos
O julgamento relacionado ao ex-governador Silval Barbosa, no âmbito da Operação Rota Final, terá continuidade em fevereiro de 2027. A audiência de instrução e julgamento foi marcada pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, para o dia 15 de fevereiro. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes relacionadas ao sistema de transporte intermunicipal de Mato Grosso.
Segundo a acusação, o suposto esquema teria atuado para dificultar a implantação de um novo modelo de transporte rodoviário no Estado e manter o sistema que já estava em funcionamento. As irregularidades investigadas teriam causado prejuízo estimado em aproximadamente R$ 161 milhões aos cofres públicos.
Silval Barbosa foi denunciado por corrupção passiva no caso. No entanto, a parte da ação referente ao ex-governador foi desmembrada e encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), assim como os processos envolvendo o deputado estadual Dilmar Dal Bosco e Pedro Inácio Wiegert.
Na decisão mais recente, o juiz analisou os argumentos apresentados pelas defesas dos réus que permanecem no processo. Os advogados haviam apontado supostos problemas na denúncia e questionado a existência de elementos suficientes para justificar a continuidade da ação.
Os pedidos, porém, foram rejeitados em sua maior parte pelo magistrado. Com isso, o processo seguirá para a fase de instrução, quando deverão ser produzidas provas e colhidos depoimentos. A audiência foi programada para ocorrer de forma virtual.
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Entre os réus que continuam respondendo à ação estão os empresários Éder Augusto Pinheiro, ligado à Verde Transportes, Max Willian de Barros Lima e Júlio César Sales de Lima. Também são acusados Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, conhecido como Chico Lima, ex-procurador do Estado, Carla Maria Vieira de Andrade Lima, Francisco Gomes de Andrade Lima Neto, Wagner Ávila do Nascimento, José Eduardo Pena, Adriano Medeiros Barbosa, Idmar Favaretto, Marcos Antônio Pereira, Alessandra Paiva Pinheiro, também identificada como Alessandra Macedo Paiva, e Cristiane Cordeiro Leite Geraldino.
A investigação aponta que o grupo teria adotado medidas para retardar a implantação do novo sistema de transporte intermunicipal. A suspeita é de que a manutenção do modelo anterior atendesse aos interesses dos envolvidos.
Apesar de determinar o prosseguimento da ação, o juiz reconheceu parcialmente um dos pedidos das defesas. Foi declarada a prescrição de uma das acusações atribuídas a Éder Augusto Pinheiro, Max Willian de Barros Lima, Júlio César Sales de Lima e José Eduardo Pena.
Com isso, a punibilidade dos quatro réus foi extinta exclusivamente em relação a esse delito, previsto na antiga Lei de Licitações. As demais acusações continuam válidas e serão analisadas durante o andamento do processo.