TRIBUNAL DO JÚRI

Julgamento de Carlinhos Bezerra começa nesta terça após tentativas frustradas de adiamento

· 3 min de leitura
Julgamento de Carlinhos Bezerra começa nesta terça após tentativas frustradas de adiamento
As vitimas Thays Machado, e o namorado dela, Willian César Moreno nas três fotos, e na foto em destaque o réu Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra - Foto: Reprodução

Sessão ocorrerá sob segredo de Justiça, com acesso restrito às partes do processo

O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, será julgado pelo Tribunal do Júri de Cuiabá nesta terça-feira (21), acusado de assassinar a ex-companheira, Thays Machado, e o namorado dela, Willian César Moreno. O caso, registrado em janeiro de 2023, teve grande repercussão em Mato Grosso e chega agora à fase de julgamento, depois de uma série de recursos apresentados pela defesa.

A sessão será realizada no Fórum da Capital e está prevista para começar às 9h. Por decisão judicial, o julgamento ocorrerá com acesso restrito às partes envolvidas no processo, já que a ação tramita sob segredo de Justiça.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

De acordo com a investigação, Thays havia encerrado o relacionamento com Carlinhos meses antes e estava vivendo um novo romance com Willian Moreno.

Na madrugada do dia 18 de janeiro de 2023, ela foi buscar o namorado no aeroporto. Segundo o inquérito, o casal foi abordado pelo empresário, que estaria armado e teria feito ameaças.

Após o episódio, Thays entrou em contato com a Polícia Militar por meio do telefone 190. Durante o atendimento, foi orientada a procurar a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher para registrar ocorrência e solicitar medidas protetivas, o que não chegou a acontecer.

Horas depois, no fim da tarde, os dois foram surpreendidos em frente ao condomínio onde morava a mãe de Thays, no bairro Consil, em Cuiabá.

Segundo a Polícia Civil, o casal aguardava um veículo de transporte por aplicativo quando Carlinhos chegou dirigindo um Renault Kwid e efetuou diversos disparos.

Willian ainda tentou fugir correndo pela calçada, mas, conforme a denúncia do Ministério Público, foi perseguido pelo acusado, que voltou a atirar até atingir a vítima.

Logo após os assassinatos, Carlinhos deixou Cuiabá e foi localizado pela polícia em uma propriedade rural da família, no município de Campo Verde.

Durante o interrogatório, admitiu ser o autor dos disparos, mas preferiu não detalhar a dinâmica do crime.

Na ocasião, afirmou que enfrentava complicações decorrentes da diabetes e alegou que um quadro de neuropatia teria comprometido seu equilíbrio emocional. Também declarou estar arrependido e reconheceu que agiu sem controle.

Para o Ministério Público de Mato Grosso, os homicídios foram planejados e motivados pela inconformidade do empresário com o término do relacionamento.

A denúncia sustenta que Carlinhos monitorava os passos da ex-companheira mesmo após a separação e escolheu o momento em que ela estava vulnerável para cometer o crime, impedindo qualquer possibilidade de reação.

Os promotores também afirmam que o assassinato de Thays caracteriza feminicídio, uma vez que teria sido praticado em contexto de violência contra a mulher decorrente da relação afetiva entre vítima e acusado.

Em relação a Willian, o Ministério Público aponta que ele foi morto por estar ao lado de Thays no momento da ação criminosa.

Nos meses que antecederam o júri, a defesa apresentou diversos pedidos à Justiça buscando impedir a realização da sessão.

Entre as medidas adotadas estiveram solicitações para retirar o julgamento de Cuiabá, instaurar incidente de insanidade mental e adiar o júri sob a alegação de falta de tempo para analisar o material produzido durante a investigação.

Todos os requerimentos foram rejeitados.

Na decisão mais recente, proferida na segunda-feira (20), a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira descartou a tese de cerceamento de defesa. Segundo ela, os advogados tiveram prazo suficiente para examinar aproximadamente 109 gigabytes de provas digitais reunidas no processo.

Antes disso, tanto o Tribunal de Justiça de Mato Grosso quanto o Superior Tribunal de Justiça já haviam negado pedidos para transferir o julgamento para outra comarca.

Em razão do segredo de Justiça, apenas magistrados, promotores, advogados, jurados, familiares autorizados e demais pessoas diretamente ligadas ao processo poderão permanecer no plenário durante a sessão.

Com isso, a imprensa não acompanhará os debates e deverá aguardar o encerramento do julgamento para ter acesso ao veredicto.