CRIME ENCOMENDADO

Delegado afirma ter prova do pagamento e diz ter "certeza absoluta" sobre mandantes de morte

· 2 min de leitura
Delegado afirma ter prova do pagamento e diz ter "certeza absoluta" sobre mandantes de morte
Delegado da DHPP, Bruno Abreu, e Alex Roberto, apontado como autor dos disparos que mataram o advogado Renato Nery Foto: Victor Ostetti/Midia News-Montagem

Segundo Bruno Abreu, a investigação identificou a origem dos R$ 200 mil usados na execução do advogado e reuniu provas contra todos os envolvidos, do executor aos supostos mandantes

A Polícia Civil afirma ter reunido provas que apontam os empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi como os mandantes do assassinato do advogado Renato Gomes Nery. A declaração foi feita nesta quarta-feira (15) pelo delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Bruno Abreu, que afirmou que a investigação também conseguiu comprovar a movimentação financeira usada para pagar a execução do crime, um dos principais desafios em casos de homicídio sob encomenda.

Em conversa com a imprensa, após prestar depoimento durante o Júri, no Fórum de Cuiabá, o delegado foi categórico ao afirmar que não tem dúvidas sobre a autoria intelectual do assassinato.

"Hoje eu tenho total certeza, absoluta, que a Julinere e o marido mandaram matar o Renato Nery. A prova do pagamento está comprovada", declarou.

Conforme Bruno Abreu, a investigação, que se estendeu por quase dois anos, permitiu identificar toda a estrutura responsável pela execução do advogado, incluindo o atirador, os intermediários e os supostos mandantes.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

Segundo ele, o avanço mais importante foi a comprovação da movimentação financeira utilizada para custear o homicídio.

"O dinheiro do mando sai da conta da Julinere, vai para a conta do Jackson, que fez a distribuição. As pessoas utilizadas como laranjas confirmaram essa movimentação. Encontramos exatamente os R$ 200 mil apontados nas investigações", afirmou o delegado.

Bruno Abreu destacou ainda que a elucidação do caso exigiu uma extensa análise de imagens de câmeras de segurança para reconstruir o trajeto percorrido pelo executor após os disparos.

"Foi uma investigação muito difícil e muito complexa. Conseguimos descobrir para onde a motocicleta foi e, por exclusão, chegamos ao autor. Foi um crime muito bem planejado, mas não existe crime perfeito", disse.

Apesar de afirmar que o inquérito está praticamente concluído, o delegado informou que ainda restam algumas diligências complementares.

"Eu diria que 95% da investigação está encerrada. Ainda aguardamos algumas medidas cautelares para verificar se existe outro envolvido", completou.

Acompanhe o julgamento:

O crime

Renato Gomes Nery foi baleado na manhã de 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório de advocacia, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu em decorrência dos ferimentos.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o homicídio foi motivado por uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Novo São Joaquim.

A acusação sustenta que os empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi contrataram os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira para organizar o assassinato, recrutando o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado como o autor dos disparos.