PRIMEIRA SENTENÇA

Caseiro que confessou ter executado o advogado Renato Nery é condenado a 33 anos

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Caseiro que confessou ter executado o advogado Renato Nery é condenado a 33 anos
Caseiro, Alex Roberto de Queiroz Silva, condenado pela morte do Advogado Renato Nery- Foto: Victor Ostetti/ MidiaNews

Julgamento durou todo o dia no Fórum de Cuiabá; condenado permanecerá preso em regime fechado e deverá pagar indenização superior a R$ 40 mil

O primeiro julgamento relacionado ao assassinato do advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), Renato Nery, terminou com a condenação do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva. Em decisão proferida na noite desta quarta-feira (15), o Tribunal do Júri de Cuiabá fixou a pena em 33 anos e 10 meses de reclusão, a ser cumprida em regime fechado.

Além da prisão, o condenado deverá indenizar os familiares da vítima em valor superior a R$ 40 mil. A sentença foi proferida pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal da Capital, após um julgamento iniciado pela manhã no Fórum de Cuiabá.

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Ao responder às perguntas durante o júri, Alex reconheceu que foi o responsável pelos disparos que tiraram a vida do advogado, mas contestou a tese apresentada pela acusação de que teria atuado a mando dos demais investigados. Segundo seu relato, a decisão de cometer o crime foi motivada pelo desespero financeiro e pela pressão exercida por agiotas que cobravam dívidas e faziam ameaças contra sua família.

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O réu afirmou ainda que tomou conhecimento da possibilidade de receber R$ 200 mil após uma conversa com o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, integrante da Rotam. Apesar disso, insistiu que não houve contratação formal nem participação dos demais acusados na execução do homicídio.

Os jurados, entretanto, acolheram integralmente a denúncia do Ministério Público. Alex foi considerado culpado por homicídio qualificado, organização criminosa e fraude processual. Também foram reconhecidas todas as circunstâncias qualificadoras apresentadas pela acusação, entre elas a promessa de recompensa financeira, o emprego de meio que colocou terceiros em risco, a impossibilidade de defesa da vítima e o fato de Renato Nery possuir idade avançada.

A condenação por fraude processual decorre da conclusão de que o réu participou de ações destinadas a dificultar a elucidação do crime e a ocultar provas relevantes para a investigação.

De acordo com a Polícia Civil, o homicídio teria sido motivado por uma disputa envolvendo uma propriedade rural avaliada em mais de R$ 30 milhões. A investigação aponta que os empresários Julinere Bentos Goulart e César Jorge Sechi seriam os responsáveis por encomendar a morte do advogado.

O inquérito também atribui aos policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira a função de organizar a execução do plano criminoso e recrutar Alex para realizar o atentado.

Renato Nery foi baleado em 5 de julho de 2024, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, e não resistiu aos ferimentos. Alex Roberto é o primeiro dos seis denunciados no processo a ser submetido ao Tribunal do Júri. Os demais acusados ainda aguardam julgamento.