Investigação da PF aponta que Felipe José Glinke aguardou a saída de um terceiro antes de concluir movimentação financeira
Imagens de câmeras de segurança de agências bancárias ajudaram a Polícia Federal a identificar movimentações consideradas suspeitas envolvendo Felipe José Glinke, assessor jurídico da Presidência do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Preso durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada na quinta-feira (29), ele é investigado por supostamente ter recebido R$ 9,9 milhões e atuar na movimentação de recursos de um esquema criminoso que teria sido instalado na instituição.
Um dos episódios descritos na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ocorreu em 23 de setembro de 2025. Na ocasião, Felipe estava em uma agência bancária para realizar uma operação financeira quando teria percebido a presença de uma pessoa próxima aos caixas.
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Segundo a investigação, o assessor demonstrou desconfiança e sinalizou para outro envolvido que a movimentação deveria ser adiada. Ele teria aguardado a saída da pessoa antes de retornar ao atendimento para receber o dinheiro.
A atitude chamou a atenção dos investigadores e foi interpretada pelo ministro como um possível indicativo de preocupação com a presença de policiais ou de terceiros que pudessem acompanhar a movimentação.
O episódio não foi o único registrado pelas câmeras. Conforme a decisão judicial, Felipe aparece em imagens obtidas pela Polícia Federal nos dias 5, 16 e 23 de setembro e 7 de outubro de 2025, em situações relacionadas a saques e ao manuseio de dinheiro em espécie.
“As imagens colhidas pela autoridade policial registram a sua presença em diversos episódios de saque e de manuseio de numerário (dias 5/9/2025, 16/9/2025, 23/9/2025 e 7/10/2025), inclusive em circunstâncias interpretadas como demonstração de cautela para evitar a observação de terceiros”, registra a decisão.
Outra movimentação destacada pelo STJ aconteceu em 7 de outubro de 2025, em uma unidade da cooperativa Sicoob. Naquele dia, o assessor teria assinado um documento ainda sem preenchimento, recebido uma quantia em dinheiro e, pouco depois, retornado ao caixa para entregar parte dos valores à funcionária.
“A quantia teria sido anotada em um caderno mantido na gaveta da atendente”, apontou o ministro Og Fernandes.
Na avaliação dos investigadores, Felipe teria desempenhado a função de operador financeiro do suposto esquema, participando de movimentações bancárias relacionadas aos recursos investigados. A Polícia Federal apura a existência de uma estrutura que teria sido comandada pelo então presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo.
O valor de R$ 9.932.818,72 é apontado na investigação como quantia supostamente recebida pelo assessor. A origem, a destinação e as circunstâncias dessas movimentações fazem parte da apuração conduzida pela Polícia Federal.
Após ser preso na operação, Felipe passou por audiência de custódia na quinta-feira (29). Em seguida, foi transferido da Superintendência da Polícia Federal para o Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
As suspeitas descritas na decisão judicial ainda estão sob investigação e não representam condenação definitiva dos envolvidos.