NA MIRA DA JUSTIÇA

Advogado vira réu por atropelamento que matou aposentada de 72 anos em VG

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Advogado vira réu por atropelamento que matou aposentada de 72 anos em VG

Justiça aceitou denúncia do Ministério Público e dará início à ação penal contra Paulo Roberto Gomes dos Santos pela morte de Ilmis Dalmes Mendes da Conceição

O advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos tornou-se réu na Justiça pelo atropelamento que resultou na morte da aposentada Ilmis Dalmes Mendes da Conceição, de 72 anos, em Várzea Grande. A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso foi recebida pelo juiz Juliano Hermont Hermes da Silva, da 1ª Vara Criminal do município, que determinou a abertura da ação penal.

Segundo as investigações, o atropelamento ocorreu em janeiro deste ano, na Avenida da FEB. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que a vítima atravessava a via e foi atingida pela caminhonete conduzida pelo advogado. Com o impacto, a idosa foi arremessada para a pista contrária e acabou sendo atingida por um segundo veículo.

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Laudos periciais apontaram que Paulo Roberto tinha visão plena da avenida e cerca de 185 metros de distância para perceber a presença da vítima. De acordo com os peritos, havia tempo suficiente para frear ou realizar uma manobra que evitasse o atropelamento, mas nenhuma ação foi adotada pelo motorista.

Após atingir a aposentada, o advogado deixou o local sem prestar socorro. Ele foi localizado e preso dias depois pelas autoridades.

Durante o interrogatório, Paulo Roberto admitiu que trafegava acima da velocidade permitida e alegou que fazia uso do medicamento Mounjaro, afirmando que o remédio teria comprometido sua capacidade de percepção. Em sua versão, também sustentou que a própria vítima teria colidido contra seu veículo.

No entanto, a Polícia Civil concluiu que os elementos reunidos durante o inquérito apontam que o motorista tinha condições de evitar o acidente. A investigação também destacou a fuga do local sem qualquer assistência à vítima.

STJ mantém prisão

Na semana passada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Ao analisar o caso, o ministro Joel Ilan Paciornik rejeitou a liminar e afirmou não identificar ilegalidade na manutenção da prisão.

A decisão reforçou entendimento já adotado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que no fim de maio havia mantido a prisão preventiva do acusado.

Com base nas provas reunidas, o juiz Juliano Hermes recebeu a denúncia por homicídio qualificado com dolo eventual, entendimento aplicado quando o investigado assume o risco de provocar a morte.

Entre as qualificadoras reconhecidas estão a idade da vítima, superior a 60 anos, e a impossibilidade de defesa. Também foram incluídos crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro, como omissão de socorro e fuga do local do acidente.

Com o recebimento da denúncia, o caso deixa a fase de investigação e passa a tramitar como ação penal, podendo futuramente ser submetido ao Tribunal do Júri. O advogado terá prazo de 10 dias para apresentar defesa prévia, indicar testemunhas e requerer produção de provas.

Histórico de condenações

O nome de Paulo Roberto já esteve envolvido em outros crimes de grande repercussão. Ele foi condenado pela morte do delegado Eduardo da Rocha Coelho, assassinado com um disparo na nuca. Após o crime, fugiu e passou a viver em Mato Grosso utilizando identidade falsa. Pela execução, recebeu pena de 13 anos de prisão.

O advogado também foi condenado pelo assassinato da estudante de enfermagem Rosemeire Maria da Silva, de 25 anos, ocorrido em 2004, no município de Juscimeira. No processo, foi responsabilizado por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsificação de documentos, recebendo pena de 19 anos de prisão.

Atualmente, Paulo Roberto permanece preso na Penitenciária Mata Grande, em Rondonópolis, enquanto aguarda o andamento do novo processo criminal.