"DILMA 2"

Abilio diz que derrota de Flávio foi "livramento de Deus" e prevê crise no Governo Lula

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Abilio diz que derrota de Flávio foi "livramento de Deus" e prevê crise no Governo Lula
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini - Foto: Reprodução / Emanoele Daiane

Após reeleição de Lula, prefeito afirma que promessas de campanha enfrentarão obstáculos e compara cenário ao segundo mandato de Dilma

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou nesta terça-feira (27) que a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República pode ter sido um "livramento de Deus" para o senador. Na avaliação do gestor, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de enfrentar dificuldades fiscais e rever promessas de campanha, assumindo o desgaste político que, segundo ele, recairia sobre o adversário caso tivesse vencido a eleição.

Durante entrevista à imprensa, Abilio comparou o resultado presidencial à própria derrota na disputa pela Prefeitura de Cuiabá, em 2020, quando perdeu para Emanuel Pinheiro. Segundo ele, não ter assumido o Executivo municipal naquele momento acabou sendo uma vantagem em sua trajetória política.

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"Para mim, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida ter perdido aquela eleição em 2020. Porque todas as bombas da gestão do Emanuel iam cair no meu colo, então caíram no colo dele mesmo", declarou.

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O prefeito criticou a administração do antecessor, mencionando dificuldades no pagamento dos servidores e uma dívida municipal que, segundo sua avaliação, se aproximava de R$ 2 bilhões ao fim do mandato. Abilio afirmou que o período fora da prefeitura permitiu que se dedicasse à família, exercesse o mandato de deputado federal e retornasse à disputa municipal com mais experiência.

Foi a partir dessa experiência que ele traçou um paralelo com Flávio Bolsonaro.

"Eu acredito que, para Flávio, ter perdido essa eleição foi livramento. Livramento de Deus", afirmou.

Na interpretação do prefeito, a vitória de Lula obrigará o próprio governo petista a administrar os efeitos das medidas econômicas adotadas durante a campanha. Abilio acusou o presidente de ter ampliado gastos para conquistar votos e afirmou que o país enfrenta um cenário de grave desequilíbrio nas contas públicas.

"O Brasil está num caos financeiro. Está numa crise econômica gigantesca. Todos esses pacotes eleitorais que eles fizeram para poder ganhar as eleições trouxeram ao país um desequilíbrio econômico gigantesco", disse.

O gestor também alegou que o governo federal já estaria discutindo alterações em programas sociais e reduções de despesas em áreas como saúde, educação, infraestrutura e habitação. Entre os exemplos citados, mencionou o Bolsa Família, o Pé-de-Meia e o Minha Casa, Minha Vida.

As possíveis mudanças foram apresentadas pelo prefeito durante a entrevista, sem documentação que permitisse confirmar os cortes ou as decisões mencionadas. As afirmações, portanto, refletem sua avaliação sobre os rumos da política econômica federal.

Abilio sustentou que, caso Flávio Bolsonaro tivesse vencido, caberia ao novo governo promover os ajustes fiscais e enfrentar as críticas da população. Com a reeleição de Lula, afirmou, o desgaste permanecerá com o PT.

"Se o Flávio ganha, o Lula não ia fazer nenhuma dessas revisões econômicas. Ele ia deixar quieto até o fim do mandato dele. E o Flávio ia assumir essa bomba", argumentou.

O prefeito também previu que o presidente poderá enfrentar dificuldades semelhantes às registradas no segundo mandato de Dilma Rousseff, marcado por uma grave crise econômica e política.

"Eu acredito que o Lula agora vai fazer uma Dilma 2. Vai ser igual à Dilma 2, naquele mesmo período", afirmou.

Ao comentar a reação dos apoiadores de Bolsonaro à derrota, Abilio minimizou o impacto do resultado eleitoral e disse acreditar que os próximos meses serão mais difíceis para o campo político adversário.

"Nós, de direita, sofremos uma noite só. É que nem aquele negócio: 'O choro dura uma noite, a alegria vem pela manhã'. Sofremos uma noite", declarou.

Para o prefeito, a frustração com o resultado das urnas deverá dar lugar à percepção de que Lula enfrentará dificuldades para cumprir os compromissos assumidos durante a campanha.

"No dia seguinte já veio a nossa realidade, uma realidade diferente, e a gente já viu que o Lula não vai conseguir cumprir suas promessas e o pessoal da esquerda vai sofrer mais", concluiu.