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"Foi ordem dele", diz Antônio Lemes sobre documento que o afastou da Câmara de Cuiabá

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"Foi ordem dele", diz Antônio Lemes sobre documento que o afastou da Câmara de Cuiabá

Suplente afirmou que assessores elaboraram o documento por determinação do vereador titular e que o conflito foi superado

O suplente de vereador Antônio Lemes (PSD) afirmou que não pretende acionar a Comissão de Ética da Câmara Municipal de Cuiabá contra o vereador Jefferson Siqueira (PSD), apesar de sustentar que foi pressionado pelo parlamentar a deixar a cadeira que ocupava durante o período de licença do titular. Após o impasse, Lemes reassumiu o mandato para cumprir os últimos 30 dias do afastamento de Jefferson e declarou que os dois chegaram a um entendimento.

Em entrevista à imprensa, Antônio relatou que o desentendimento começou depois que Jefferson teria insistido para que ele assinasse um documento formalizando sua saída do Legislativo. Segundo o suplente, o texto foi preparado por assessores do vereador titular, seguindo uma determinação dele.

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"Por muita insistência do vereador Jefferson para que a gente afastasse, eu acabei assinando aquele documento redigido pelo próprio vereador, pela equipe dele", afirmou.

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A situação, entretanto, teve um novo desdobramento após a análise da Procuradoria da Câmara. De acordo com Antônio Lemes, o departamento jurídico considerou o documento vago e decidiu convocá-lo novamente para ocupar a cadeira, impedindo que outro suplente assumisse a vaga durante o período restante da licença.

"A gente foi procurado pela Procuradoria da Casa, que analisou aquele documento e achou um documento muito vago. Por isso, resolveram me chamar novamente para assumir a Câmara e dar sequência nesses últimos 30 dias", explicou.

Questionado se a elaboração do documento havia partido diretamente de Jefferson ou de algum integrante do gabinete, o suplente responsabilizou o vereador titular pela iniciativa.

"Foi ordem dele. Foi feito pelos assessores, mas foi ordem do Jefferson. Mas isso aí são águas passadas e agora a gente segue junto na caminhada", declarou.

Apesar das acusações, Antônio afirmou que o relacionamento entre os dois foi restabelecido após uma reunião que contou com a participação de Jefferson e de integrantes de sua equipe.

Segundo o suplente, o vereador titular se retratou pela insistência que teria feito para que ele deixasse o mandato. Durante a conversa, ambos apresentaram suas versões sobre o episódio e decidiram encerrar a divergência.

"Ele e o assessor nos chamaram, retrataram a situação. Eu coloquei o meu lado, ele colocou o lado dele e a gente apaziguou toda essa situação", relatou.

Antônio descarta levar caso à Comissão de Ética

Durante a entrevista, o suplente também foi questionado sobre a possibilidade de a Câmara abrir um procedimento para investigar a conduta de Jefferson, considerando as circunstâncias que envolveram seu afastamento.

Antônio reconheceu que a situação poderia trazer consequências ao vereador titular, mas afirmou que não pretende apresentar uma representação para apuração do caso.

"Eu acredito que, por causa da questão do documento, a situação seria ruim para ele. Mas, como eu sou responsável por acionar a Comissão de Ética nessas coisas, eu não vou fazer isso. A gente vai finalizar os 30 dias e vida que segue", disse.

O parlamentar também foi lembrado de declarações anteriores nas quais havia manifestado preocupação com sua própria segurança durante o conflito. Mesmo diante do questionamento, manteve a posição de que o episódio está superado.

"Essa insistência por parte dele houve, mas ele nos chamou, reunimos e apaziguou a situação. Retratou comigo, ele e os assessores, e a gente teve uma boa conversa. Por isso mesmo, acho que são águas passadas", afirmou.

Antônio acrescentou que pretende concentrar seus esforços na conclusão do período como vereador e na continuidade de sua atuação política.

Apoio a Abílio e possível saída do PSD

Ao comentar seu posicionamento na Câmara, Antônio Lemes confirmou que continuará integrando a base de sustentação do prefeito Abílio Brunini (PL).

O suplente relacionou o conflito com Jefferson ao apoio político que havia declarado a Paula e ao alinhamento com a administração municipal.

"Tudo isso aconteceu por eu ter direcionado o apoio à Paula e à base do prefeito. E hoje, é lógico que eu continuo na base do prefeito Abílio Brunini", declarou.

Antônio também confirmou que pretende disputar novamente uma cadeira na Câmara Municipal nas eleições de 2028. Segundo ele, a experiência durante os três meses de atuação no Legislativo demonstrou a importância de ter representantes ligados diretamente às comunidades.

O suplente citou o bairro Mascarenhas como uma das regiões que pretende continuar representando, argumentando que a presença de um vereador comprometido com as demandas locais facilita a busca por melhorias para os moradores.

Sobre a permanência no PSD, Antônio afirmou que não pretende mudar de legenda neste momento, mas sinalizou que poderá procurar outro partido para disputar a próxima eleição.

"Estamos recebendo convite de vários partidos, de vereadores até mesmo aqui da Casa, e a gente vai analisar para ver que rumo seguir. Mas dificilmente a gente vai ficar no partido que a gente está hoje, que é o PSD", afirmou.

Apesar da possibilidade de deixar a sigla, o suplente reforçou que pretende manter o entendimento com Jefferson durante o período restante da licença e concluir sua passagem pelo Legislativo sem novos conflitos.