Vereador afirmou que a liberdade de escolha vale para patrões, empregados e consumidores, independentemente do posicionamento político
O vereador Rafael Ranalli (PL) defendeu, na manhã desta terça-feira (27), durante entrevista na Câmara Municipal de Cuiabá, a liberdade de empresários para contratar e demitir funcionários conforme suas próprias escolhas, inclusive em meio ao movimento de boicote contra eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao comentar a possibilidade de trabalhadores perderem o emprego por terem votado no petista, o parlamentar ironizou: "Aí fez o L e fica sem emprego".
As declarações ocorreram após Ranalli ser questionado sobre manifestações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que incentivam comerciantes a deixar de contratar ou até dispensar funcionários identificados como eleitores de Lula. O movimento também inclui propostas de boicote a municípios onde o petista obteve maioria dos votos.
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Sem condenar a iniciativa, o vereador afirmou que considera a decisão de contratar ou dispensar trabalhadores uma prerrogativa dos empresários.
"Eu defendo qualquer posicionamento, a gente vive em uma democracia. Se o cara quiser mandar embora o petista, ele manda. Se o petista que votou no Lula quiser se revoltar para o patrão e pedir as contas, peça as contas também. Vai viver de Bolsa Família", declarou.
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Ranalli também manifestou apoio à decisão atribuída ao prefeito de Brasnorte de exonerar um secretário que teria comemorado a vitória de Lula. O vereador argumentou que ocupantes de cargos comissionados podem ser dispensados por decisão da autoridade responsável pela nomeação.
"Aí sim, não tem o que questionar, até porque contratação e exoneração em cargo de comissão é de livre e espontânea vontade", afirmou.
Durante a entrevista, o parlamentar insistiu que as relações comerciais e profissionais deveriam seguir o princípio da liberdade individual. Para exemplificar, sugeriu que empresários alinhados à esquerda tornassem públicas suas preferências políticas.
"Quem é de esquerda bota uma estrela na frente do seu comércio e fala: 'Eu fiz o L, venha consumir no meu estabelecimento'. Eu vou achar errado? Eu não vou achar errado, até incentivo", disse.
Em outro momento, desafiou os eleitores do presidente a demonstrarem publicamente o posicionamento político.
"Quem fez o L, bote na frente, ou meta uma estrela na testa e saia na rua", afirmou.
O trecho mais contundente da entrevista ocorreu quando um dos jornalistas observou que empresários frequentemente reclamam da falta de trabalhadores disponíveis no mercado.
Ranalli respondeu que a dificuldade também poderia atingir quem procura uma oportunidade de emprego, associando a situação ao voto em Lula.
"E a mão de obra reclama que não tem emprego. Aí fez o L e fica sem emprego", declarou.
A fala ocorreu no contexto de questionamentos sobre possíveis demissões motivadas por divergências políticas. Embora tenha defendido a autonomia dos empregadores, Ranalli posteriormente reconheceu que um empresário não pode declarar a preferência eleitoral do funcionário como justificativa para dispensá-lo.
"O que você falou está correto, o cara não pode chegar e falar: 'Estou te mandando embora porque você fez o L'", afirmou.
Na sequência, entretanto, argumentou que o empregador poderia encerrar o vínculo sem revelar a motivação, desde que cumprisse as obrigações trabalhistas.
"Só que é de íntima vontade dele. Ó, não tem condição, vou te pagar seu direito, não falo o motivo", declarou.
A ressalva não elimina a possibilidade de questionamento judicial de uma dispensa discriminatória. A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias na manutenção da relação de trabalho, inclusive quando relacionadas a convicções políticas.
Questionado se adotaria a mesma postura em seu gabinete caso algum assessor comemorasse a vitória do presidente, Ranalli respondeu que não.
Segundo ele, a preferência política não é um critério utilizado para selecionar os integrantes de sua equipe.
"Eu nunca perguntei se você votou na esquerda ou na direita", afirmou.
O vereador acrescentou que convive com pessoas de diferentes posicionamentos, embora reconheça que seu comportamento político possa gerar desconforto entre funcionários que discordam de suas manifestações públicas.
Ranalli encerrou a argumentação reiterando que, em sua avaliação, empresários, trabalhadores e consumidores devem ter liberdade para fazer escolhas, independentemente de suas preferências partidárias.
As declarações foram feitas em meio à repercussão de iniciativas de boicote político após o segundo turno da eleição presidencial, incluindo manifestações direcionadas a eleitores de Lula e a municípios onde o presidente obteve maioria dos votos.