Prefeito afirma que medicamentos emagrecedores vendidos irregularmente podem colocar a saúde dos consumidores em risco
A comercialização clandestina de medicamentos utilizados para emagrecimento em Cuiabá levou o prefeito Abilio Brunini (PL) a fazer um alerta sobre os riscos à saúde de quem utiliza produtos sem procedência comprovada. Segundo ele, há denúncias de falsificação de substâncias anunciadas como Mounjaro e retatrutida na Capital, com suspeitas de que algumas dessas fórmulas possam conter anfetaminas.
O assunto foi abordado pelo prefeito em um vídeo temporário publicado nas redes sociais, no qual aparece acompanhado de um médico. Durante a gravação, Abilio demonstrou preocupação com a facilidade de acesso a medicamentos trazidos do Paraguai ou comercializados informalmente, sem garantias sobre a origem e a composição das substâncias.
“Olha só, pessoal, com essa questão de muita gente trazer Mounjaro do Paraguai, muita gente tá confiando onde compra às vezes na rua aí. E eu quero dizer uma coisa para você: em Cuiabá tem gente que tá falsificando o produto, inclusive aquele produto chamado Retatrutida, que ainda não saiu e não teve um lançamento oficial”, afirmou.
Vídeo: Redes sociais
A preocupação envolve principalmente os medicamentos injetáveis procurados por pessoas que desejam perder peso. Conforme relatado na publicação, alguns usuários teriam apresentado reações incomuns após aplicar produtos que acreditavam conter tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.
Entre os sintomas mencionados estão suor excessivo, palpitações e sensação de aceleração do organismo. Essas manifestações levantaram suspeitas de que os produtos pudessem conter substâncias diferentes das anunciadas, incluindo anfetaminas. Entretanto, não foram apresentados resultados de análises laboratoriais capazes de confirmar essa hipótese.
O prefeito também citou a oferta irregular de produtos identificados como retatrutida, substância que permanece em desenvolvimento e ainda não possui autorização sanitária para comercialização em nenhum país.
Em outubro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adotou medidas para impedir a circulação de determinados produtos comercializados irregularmente como retatrutida e tirzepatida. As restrições incluem fabricação, entrada no país, distribuição comercial, publicidade e utilização dos itens abrangidos pelas determinações.
As suspeitas de irregularidades no mercado de medicamentos emagrecedores também são acompanhadas por apreensões realizadas em Mato Grosso. Em maio, uma ação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal encontrou 488 frascos de tirzepatida escondidos no compartimento do estepe de um veículo, em Várzea Grande.
A carga foi avaliada em aproximadamente R$ 300 mil. Na ocasião, os suspeitos informaram que os medicamentos seriam destinados à comercialização em Cuiabá.
Ao longo de 2026, a Anvisa também determinou o recolhimento de lotes falsificados de Mounjaro, após a fabricante identificar divergências em elementos utilizados para verificar a autenticidade dos medicamentos, como embalagens, dispositivos de aplicação e números de série.
Diante desse cenário, Abilio reforçou que a utilização de medicamentos injetáveis sem orientação profissional pode provocar consequências graves, especialmente quando não há informações confiáveis sobre a substância aplicada.
“Ou seja, tome cuidado com aquilo que você injeta no seu corpo, porque pode dar o maior problema se você fizer do jeito errado. E se você não fizer com acompanhamento médico, você tá correndo o risco das consequências ou dos efeitos colaterais que muitas vezes você não conhece”, alertou.
A orientação da Anvisa é que a população procure farmácias e estabelecimentos devidamente autorizados, exija nota fiscal e confira as condições e a identificação das embalagens. Produtos com indícios de adulteração ou falsificação não devem ser utilizados.