DESAFIO ECONÔMICO

Fábio Garcia defende governo mais enxuto e alerta para desigualdade entre municípios

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Fábio Garcia defende governo mais enxuto e alerta para desigualdade entre municípios
O deputado federal Fábio Garcia - Foto: Reprodução / Yasmin Silva

Parlamentar defende revisão contínua de despesas e políticas para ampliar a distribuição de riqueza em Mato Grosso

A reforma administrativa que está sendo preparada pelo governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos) deve ir além de mudanças nas secretarias e na distribuição de cargos. Essa é a avaliação do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), que defende uma gestão com fiscalização constante das despesas, combate aos desperdícios e maior atenção aos municípios que ainda não conseguem acompanhar o crescimento econômico de Mato Grosso.

Em entrevista, o parlamentar afirmou que a responsabilidade com o dinheiro público precisa ser uma prática incorporada ao funcionamento do Executivo, e não apenas uma iniciativa adotada durante períodos de reorganização administrativa. Para ele, cada setor deve avaliar regularmente seus custos e identificar oportunidades de economia, preservando a qualidade do atendimento à população.

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“O enxugamento não é algo que você faz em um dia e esquece dele. É permanente. Ele é um trabalho diário. É um trabalho de cada um dos secretários, de cada colaborador, de olhar o custo”, declarou.

A manifestação ocorre enquanto o Palácio Paiaguás avalia possíveis alterações na estrutura do governo para o novo mandato. Entre as medidas em discussão estão mudanças nas atribuições das pastas e na organização administrativa, que também poderão interferir na ocupação de cargos.

Garcia considera que a manutenção das contas públicas em condições favoráveis é fundamental para garantir recursos destinados a obras, programas e serviços. Ele defende que a administração estadual tenha condições de ampliar os investimentos sem comprometer o equilíbrio financeiro.

O posicionamento do deputado leva em consideração sua passagem pela Casa Civil, onde atuou entre 2023 e março de 2026, durante o governo Mauro Mendes (União Brasil). Na função, acompanhou decisões relacionadas à aplicação de recursos e às demandas dos órgãos estaduais.

Parte dessas discussões ocorria no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Condess), responsável por analisar questões relacionadas a investimentos e contratações. Segundo Garcia, a experiência reforçou a importância de acompanhar continuamente a utilização dos recursos públicos.

“Minha recomendação é que o espírito do governo seja um governo que esteja sempre de olho em fazer com que o Estado esteja saudável para poder levar investimento para ponta, para melhorar a vida do cidadão”, afirmou.

O deputado também chamou atenção para o contraste entre o desempenho econômico de Mato Grosso e a realidade enfrentada por parte da população. Na avaliação dele, o crescimento da produção estadual ainda não se converteu, na mesma proporção, em melhores condições de vida e oportunidades para todos os mato-grossenses.

“Eu não conheço nenhum Estado brasileiro com tanta capacidade de produzir riqueza como Mato Grosso”, pontuou.

Garcia acredita que uma das formas de enfrentar esse problema é ampliar as atividades econômicas para além da comercialização de produtos primários. A proposta envolve estimular indústrias capazes de processar a produção local, movimentar outros setores e criar postos de trabalho com melhor remuneração.

O parlamentar também apontou o turismo e a tecelagem como segmentos que podem contribuir para diversificar a economia estadual e abrir novas possibilidades de renda.

“Não se pode ser um Estado onde poucos têm muito e muitos têm muito pouco”, declarou.

A preocupação se estende à diferença de desenvolvimento entre as cidades. Garcia observou que parte dos municípios localizados ao longo da BR-163, como Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, apresenta forte movimentação econômica, impulsionada principalmente pelo agronegócio.

Em contrapartida, municípios como Acorizal, Rosário Oeste, Nobres, Santo Antônio de Leverger e Barão de Melgaço ainda enfrentam dificuldades para fortalecer suas atividades produtivas e atrair novos investimentos.

Para o deputado, o governo precisa identificar as potencialidades dessas localidades e criar condições para que elas desenvolvam fontes próprias de emprego e renda. A estratégia também deve contemplar melhorias na infraestrutura urbana, nas estradas e no saneamento básico.

“Precisamos dotar os municípios com qualidade de vida, com infraestrutura urbana, de estrada, com potencialidade para desenvolvimento”, disse.

Na avaliação de Garcia, o desafio de Pivetta será administrar os recursos estaduais com rigor e, ao mesmo tempo, fazer com que os resultados positivos da economia cheguem às regiões que ainda apresentam maiores dificuldades de desenvolvimento.

Antes de integrar a administração estadual, Fábio Garcia foi secretário de Governo da Prefeitura de Cuiabá, entre 2013 e 2014, quando Mauro Mendes comandava o município. Também passou pelo Senado Federal em 2022, ao assumir temporariamente a cadeira de Jayme Campos (União Brasil), de quem era suplente.

Na Câmara dos Deputados, Garcia iniciou sua trajetória em 2014, quando foi eleito pelo PSB com 104.976 votos. Retornou à Casa após as eleições de 2022, pelo União Brasil, com 98.704 votos. Em 2026, conquistou a reeleição com 139.777 votos, resultado superior ao registrado nas duas disputas anteriores.