Ex-senador afirmou que eventual governo terá como prioridades segurança pública, habitação e melhoria da infraestrutura
O candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), usou a entrevista do programa Notícia de Frente, da TV Vila Real, nesta segunda-feira (17), para rebater as críticas do governador Otaviano Pivetta relacionadas à destinação de emendas parlamentares e apresentar propostas para áreas como segurança, infraestrutura, educação, habitação e valorização do funcionalismo público.
Ao responder aos questionamentos do adversário, Wellington afirmou que sua atuação de mais de 30 anos na política deve ser analisada a partir dos recursos destinados ao Estado e dos resultados obtidos ao longo do mandato. Segundo ele, as informações sobre emendas são públicas e podem ser consultadas pelos eleitores.
“Quando não têm o que falar de bem da sua vida, começam a apontar dedos. Nós vamos ter uma oportunidade de uma eleição agora. Tudo está na internet, tudo é publicado em relação às emendas. É transparente. É só ir lá e olhar”, declarou.
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O candidato também deslocou a discussão para os recursos recebidos por Mato Grosso em razão das compensações pelas perdas provocadas pela desoneração das exportações. Wellington afirmou que o Estado recebeu quase R$ 3 bilhões desde 2020 e questionou quais resultados foram entregues à população com esses valores.
“Eu quero saber: se esse dinheiro entrou, por que não fizeram as estradas? Por que Mato Grosso ainda tem rodovias com problemas? Por que não fizeram a manutenção necessária?”, questionou.
Wellington afirmou que teve participação nas articulações em Brasília para garantir os recursos ao Estado e defendeu que a administração estadual apresente à população a destinação dos valores.
Na entrevista, também citou como resultados de sua trajetória política a criação da Universidade Federal de Rondonópolis, investimentos na educação profissional e iniciativas voltadas à população idosa e às pessoas com deficiência.
A segurança pública foi apresentada pelo candidato como uma das prioridades de eventual governo. Wellington defendeu aumento do efetivo, valorização dos profissionais, investimentos em tecnologia e uso de inteligência para combater organizações criminosas.
Ele também mencionou a violência contra as mulheres como um dos problemas que exigem atenção do Estado.
Para o candidato, a estrutura oferecida aos agentes de segurança precisa considerar também as condições sociais e familiares dos profissionais.
“Não adianta pistola, não adianta arma, se o policial estiver mal socialmente, se a vida dele e a família dele estiverem desprotegidas”, afirmou.
Wellington defendeu ainda uma atuação integrada entre Estado e municípios, com participação de servidores e agentes comunitários na prevenção da violência.
Entre as propostas apresentadas durante a entrevista está a criação de um modelo de administração que Wellington chamou de “governo dos mutirões”, ou Muxirum, termo utilizado na Baixada Cuiabana.
A ideia é reunir governo estadual, prefeituras, vereadores, servidores e sociedade para acelerar a conclusão de obras que estão paradas.
O candidato afirmou que pretende começar por estruturas consideradas essenciais, como creches, escolas e unidades de saúde, antes de avançar para grandes projetos de infraestrutura.
“Quero chamar todos os municípios, todos os prefeitos, presidentes de câmaras e vereadores para fazer um verdadeiro mutirão para concluir as obras inacabadas”, disse.
Outro compromisso apresentado por Wellington foi o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) aos servidores públicos estaduais.
O candidato afirmou que pretende estabelecer diálogo com as categorias desde o início de uma eventual administração e relacionou a valorização do funcionalismo à qualidade dos serviços prestados à população.
“Não pode o governo ser caloteiro com o servidor público. O RGA é atualização monetária”, declarou.
Segundo Wellington, a discussão deverá envolver planejamento e responsabilidade fiscal, mas sem deixar de reconhecer a importância dos servidores para o funcionamento da máquina pública.
Para a juventude, Wellington defendeu a ampliação do ensino profissionalizante, fortalecimento dos institutos federais e criação de mecanismos para estimular o empreendedorismo.
Entre as ideias apresentadas está a oferta de financiamento subsidiado para jovens interessados em abrir empresas, além de estímulos a startups e novos negócios.
“O jovem precisa de oportunidade. Eu sei o que é uma oportunidade”, afirmou.
O candidato também defendeu escolas em período integral e disse ser favorável a diferentes modelos educacionais, incluindo as escolas militares.
Na área social, Wellington afirmou que a política habitacional precisa recuperar espaço entre as prioridades do Estado. Ele criticou investimentos públicos que, em sua avaliação, poderiam ser direcionados para ações com impacto direto sobre as famílias.
O candidato colocou a construção e aquisição da casa própria entre as medidas capazes de proporcionar maior estabilidade às famílias.
“Governar é cuidar de pessoas”, afirmou.
Com atuação ligada à Frente Parlamentar de Logística e Infraestrutura, Wellington também destacou sua participação nas discussões sobre a duplicação de rodovias em Mato Grosso.
Ele citou a BR-364, especialmente o trecho entre Rondonópolis e Cuiabá, e defendeu que projetos de infraestrutura sejam executados com planejamento, estudos técnicos e fiscalização.
Ao comentar problemas relacionados a obras rodoviárias e ao Portão do Inferno, criticou intervenções que, segundo ele, não respeitam adequadamente os critérios técnicos.
“Eu quero fazer e vou fazer bem feito. Agora, quem vai fazer são os técnicos, respeitando o técnico”, afirmou.
Para o candidato, a produção e a arrecadação de Mato Grosso precisam resultar em melhorias concretas para quem vive no Estado.
Wellington também aproveitou a entrevista para defender uma relação mais aberta entre o Governo do Estado, prefeitos, vereadores, servidores, empresários, produtores rurais e a população.
Segundo ele, o próximo governo precisa ter disposição para receber críticas e manter diálogo com diferentes setores.
“Não podemos viver em um Estado onde ninguém pode falar com ninguém. Governo precisa ouvir prefeito, vereador, produtor, servidor, empresário, trabalhador”, declarou.
O candidato afirmou ainda que pretende evitar uma administração marcada pelo isolamento político e defendeu respeito às instituições.
“Eu quero um governo aberto. Um governo que converse com todos, que respeite as instituições e que não tenha medo de ouvir”, afirmou.
Ao falar sobre operações e investigações, Wellington disse que ações dessa natureza não devem produzir um ambiente de medo entre pessoas que precisam conversar com agentes públicos ou apresentar críticas.
Durante a entrevista, Wellington também se manifestou em defesa da jornalista Luciana Gaviglia, que havia sido alvo de uma reação considerada agressiva do governador Otaviano Pivetta durante uma entrevista na semana anterior.
Na ocasião, Luciana questionava o governador sobre o déficit no efetivo das forças de segurança e as medidas adotadas pelo Estado diante dos índices de violência.
Wellington afirmou que jornalistas precisam ter liberdade para questionar autoridades e que políticos devem estar preparados para responder a perguntas consideradas incômodas.
“Luciana, eu quero pedir desculpas a você pelo que aconteceu. Você estava fazendo o seu trabalho. Jornalista pergunta, jornalista questiona, jornalista cobra”, disse.
Ao encerrar a entrevista, o candidato afirmou que pretende conduzir a campanha sem transformar a disputa em uma sequência de ataques pessoais e defendeu que os eleitores comparem as trajetórias dos candidatos e suas propostas.
“Eu respeito muito, inclusive, os meus adversários. Todo cidadão ou cidadã que resolve ser candidato e se predispõe merece respeito”, declarou.
Wellington resumiu sua proposta de governo com a promessa de aproximar a estrutura estadual da população e direcionar as políticas públicas para áreas consideradas essenciais.
“Eu quero ser um governador humano, para cuidar de gente, de gente que precisa. Colocar a mão do Estado onde o Estado está tão longe”, afirmou.