"NEM GANHANDO DUAS VEZES NA MEGA-SENA TERIA ESSE DINHEIRO"

Valdemar diz que não possui patrimônio de R$ 120 milhões e promete contestar bloqueio determinado por Dino

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Valdemar diz que não possui patrimônio de R$ 120 milhões e promete contestar bloqueio determinado por Dino
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL -Foto:Reprodução / Beto Barata

Presidente do PL afirma que bloqueio levou em conta o valor das emendas investigadas, e não seus bens declarados

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou que irá recorrer da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em seus bens. Segundo o dirigente partidário, o valor fixado pela Corte não corresponde ao patrimônio que possui e foi calculado com base no total das emendas parlamentares investigadas.

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Em entrevista ao site CNN, Valdemar declarou que seu patrimônio está muito abaixo da quantia estabelecida pela decisão judicial e ironizou o montante.

"Gostaria de ter, mas nem que acertasse duas vezes na Mega-Sena teria esse dinheiro."

O presidente do PL explicou que a indisponibilidade dos bens foi definida considerando o valor global das emendas que estão sob investigação, e não os bens declarados por ele. Na última prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, durante as eleições de 2010, Valdemar informou possuir patrimônio aproximado de R$ 2,5 milhões.

A medida cautelar foi determinada por Flávio Dino no âmbito de uma investigação conduzida pela Polícia Federal que apura um suposto esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares. Conforme a PF, Valdemar teria influenciado a destinação de pelo menos 21 emendas de comissão, que somam cerca de R$ 120 milhões, mesmo sem exercer mandato parlamentar.

Os investigadores sustentam que servidores da Câmara dos Deputados teriam sido utilizados para registrar formalmente deputados como autores das indicações, enquanto as decisões sobre o destino dos recursos seriam tomadas por terceiros. A suspeita é de que esse procedimento buscava conferir aparência de legalidade às solicitações encaminhadas aos ministérios.

Valdemar contestou as acusações e afirmou que as emendas investigadas são legítimas e estão sendo executadas regularmente. Segundo ele, a defesa apresentará os esclarecimentos necessários durante o andamento do processo.

Em nota divulgada anteriormente, os advogados do presidente do PL classificaram a decisão do STF como baseada em "premissas frágeis" e afirmaram que não há provas de participação consciente de Valdemar em qualquer organização criminosa. A defesa também sustenta que a interlocução entre dirigentes partidários e parlamentares faz parte da atividade política e não configura, por si só, irregularidade.