Governo americano afirma que práticas adotadas pelo Brasil criam barreiras comerciais e reforça medidas contra exportações nacionais
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluiu a investigação comercial aberta contra o Brasil e reforçou as justificativas para a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. Entre os argumentos apresentados pelo órgão estão críticas ao sistema de pagamentos Pix, à política para o etanol, às ações de combate ao desmatamento e a regras relacionadas ao comércio digital e à propriedade intelectual.
Segundo o relatório divulgado pelo USTR, algumas práticas adotadas pelo Brasil criariam barreiras consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos. Um dos principais alvos é o Pix. Na avaliação do governo americano, o sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central poderia favorecer prestadores de serviços financeiros nacionais em detrimento de empresas estrangeiras que atuam no setor.
Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)
O documento também questiona a política brasileira para o etanol. O governo dos Estados Unidos afirma que ainda existem obstáculos ao acesso do combustível americano ao mercado brasileiro, o que, segundo o relatório, comprometeria a competitividade e a reciprocidade nas relações comerciais entre os dois países.
Outro ponto destacado diz respeito ao desmatamento. Para o USTR, a fiscalização ambiental e a expansão de áreas desmatadas podem gerar impactos sobre a concorrência internacional, especialmente em cadeias produtivas ligadas ao agronegócio. O relatório ainda cita preocupações com a proteção da propriedade intelectual, o combate à pirataria e normas aplicadas ao ambiente digital.
As conclusões da investigação serviram de base para a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida integra a política comercial adotada pela administração do presidente Donald Trump e amplia a pressão sobre o Brasil nas negociações bilaterais.
Em resposta, o governo brasileiro classificou a decisão como inadequada e informou que analisa possíveis medidas de reação. Entre as alternativas está a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento que autoriza o país a adotar contramedidas em casos de barreiras comerciais consideradas injustificadas, sem descartar a continuidade das negociações diplomáticas para tentar reverter a decisão.