A hipertensão arterial é uma das doenças mais comuns do mundo, e uma das mais traiçoeiras. Ela é conhecida por evoluir sem provocar sintomas claros, até que se manifesta de forma abrupta, muitas vezes por meio de um susto no coração: infarto, arritmia, insuficiência cardíaca ou até um AVC. Não é raro que o diagnóstico só venha após um evento grave, quando o dano já está instalado.
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O grande problema da pressão alta é justamente o seu caráter silencioso. Diferente de outras condições, a dor de cabeça, tontura ou mal-estar só aparecem em estágios mais avançados ou durante picos de pressão. Enquanto isso, níveis elevados atuam de forma contínua sobre o organismo, forçando o coração a trabalhar contra uma resistência maior e provocando alterações progressivas nas artérias.
Com o tempo, o músculo cardíaco se espessa, as artérias perdem elasticidade e o risco de formação de placas de gordura aumenta. Esse processo favorece o surgimento de infarto, insuficiência cardíaca, arritmias e problemas renais. O coração, que deveria funcionar de forma eficiente e equilibrada, passa a operar sob estresse constante, muitas vezes sem que o paciente perceba.
Outro fator preocupante é que a hipertensão deixou de ser um problema restrito a idosos. O aumento do sedentarismo, do consumo de alimentos ultraprocessados ricos em sódio, do estresse crônico e da privação de sono fez com que pessoas cada vez mais jovens apresentassem pressão elevada. Muitos acreditam que estão protegidos por não terem sintomas ou por se sentirem “bem”, o que contribui para o atraso no diagnóstico.
Além disso, existe uma falsa sensação de segurança quando a pressão “só sobe de vez em quando”. Picos frequentes, mesmo que intercalados com períodos normais, já são suficientes para causar danos ao sistema cardiovascular. O coração não distingue se a agressão é contínua ou intermitente. Poucos sabem, mas o efeito cumulativo existe.
A boa notícia é que a hipertensão é facilmente diagnosticável e, na maioria dos casos, controlável. Aferir a pressão regularmente ainda é a principal ferramenta de prevenção. Medidas simples, como redução do consumo de sal, prática regular de atividade física, controle do peso, sono adequado e manejo do estresse, têm impacto direto nos níveis de pressão. Quando necessário, o uso correto de medicação reduz significativamente o risco de complicações.
Descobrir a pressão alta antes do “susto” muda completamente o prognóstico. Informação, acompanhamento médico e atenção aos fatores de risco são as chaves para impedir que um problema invisível se transforme em uma emergência cardíaca.
Dr. Ricardo Ferreira Silva é graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018.
Já em 2017, Dr. Ricardo fundou o Centro Cardiológico em sua cidade natal, Uberaba, para levar o que havia de mais moderno em tratamento de arritmia cardíaca para o interior do estado. Em pouco tempo, com a evolução do serviço e a necessidade de facilitar o acesso aos pacientes de outras localidades do país, expandiu para São Paulo. Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.