Delegado da Deddica alertou que abusos contra crianças geralmente acontecem dentro de casa e sem testemunhas, realidade que faz muitas vítimas sofrerem em silêncio por anos
A Polícia Civil revelou detalhes sobre a Operação Marco Zero, deflagrada nesta segunda-feira (18) em Cuiabá, Várzea Grande e outros estados. Durante coletiva, o delegado titular da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), Ramiro Mathias Ribeiro Queiroz, alertou que a maioria dos casos de abuso sexual infantil investigados ocorre dentro do próprio ambiente familiar e longe de testemunhas, cenário que dificulta as denúncias e faz com que muitas vítimas sofram em silêncio por anos.
Durante a coletiva de imprensa sobre a Operação Marco Zero, o delegado Ramiro destacou que os investigados não apresentam um perfil específico e muitas vezes aparentam levar uma vida comum perante a sociedade. Segundo ele, um dos presos trabalhava normalmente e havia acabado de chegar do serviço no momento em que foi detido pelos policiais.
“O agressor não tem cara. Todos nós aqui temos a cara do agressor. No mandado que eu cumpri hoje, por exemplo, o investigado era o próprio pai da vítima. Ele tinha acabado de chegar do trabalho, trabalhava à noite. Para a sociedade, era visto como um trabalhador”, afirmou o delegado ao relatar a gravidade do caso investigado pela Deddica.
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A Operação Marco Zero foi realizada em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e cumpriu 18 mandados de prisão preventiva.
Segundo o delegado Ramiro Mathias Ribeiro Queiroz, a maioria das vítimas atendidas pela Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica) tem entre 8 e 10 anos de idade. De acordo com ele, criminosos costumam se aproveitar da vulnerabilidade e da dificuldade que crianças dessa faixa etária possuem para compreender os abusos e denunciar os agressores.
“Criança de 8, 9 anos não está preparada para esse tipo de conduta. O que chega na delegacia é muito pouco comparado ao que realmente existe”, afirmou o delegado ao alertar sobre a subnotificação dos casos de violência sexual infantil.
Segundo a Polícia Civil, os inquéritos reuniram provas consideradas robustas para solicitar as prisões preventivas dos investigados. A operação também teve como objetivo interromper ciclos de violência e garantir proteção imediata às vítimas.
O delegado também reforçou que o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes é tratado como prioridade pela Polícia Civil. Segundo ele, além das investigações e prisões, o trabalho depende diretamente das denúncias e da atuação conjunta entre os órgãos da rede de proteção.
“O trabalho da Polícia Civil no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes é prioridade absoluta, destacando a importância da denúncia e da atuação integrada da rede de proteção”, afirmou o delegado Ramiro Mathias Ribeiro Queiroz.