Investigados usavam aplicativo Discord para abordar vítimas e são suspeitos de exigir imagens íntimas e induzir adolescentes à automutilação
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (7), a Operação Discórdia, com o objetivo de desarticular uma rede investigada por crimes contra crianças e adolescentes praticados pela internet. As determinações foram expedidas pela Vara Única de Tapurah e cumpridas nos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais.
A ação é coordenada pela Delegacia de Polícia de Tapurah e cumpre cinco ordens judiciais: dois mandados de prisão preventiva contra investigados de 19 e 20 anos e três mandados de busca e apreensão.
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Os investigados são apurados por crimes como ameaças, produção, armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil, além de indução, instigação e auxílio à automutilação.
As investigações tiveram início em abril, depois que um adolescente de 17 anos foi apreendido no município de Itanhangá. Durante a ocorrência, os policiais encontraram em seu celular materiais relacionados a crimes praticados contra crianças e adolescentes.
A partir da análise do aparelho, os investigadores identificaram duas vítimas menores de idade, uma de Tapurah e outra do Rio de Janeiro. Também foram localizados grupos utilizados para a abordagem e aliciamento das vítimas por meio do aplicativo Discord.
Com o avanço das diligências, a Polícia Civil conseguiu identificar os suspeitos apontados como responsáveis por orientar e pressionar as vítimas a realizar atos ilícitos.
Vídeo: PJC-MT
Suspeitos faziam ameaças para obter novas imagens
Segundo as investigações, os suspeitos inicialmente buscavam obter imagens íntimas das vítimas e, posteriormente, utilizavam o material como forma de ameaça para exigir novos conteúdos.
De acordo com a Polícia Civil, as vítimas eram pressionadas sob ameaça de que as imagens já obtidas seriam divulgadas a familiares ou na internet caso não cumprissem as exigências.
A investigação também apontou a existência de grupos na plataforma digital utilizados para organizar as abordagens e orientar as ações praticadas contra as vítimas.
Diante dos elementos reunidos durante o inquérito, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva dos investigados e pela realização das buscas, medidas posteriormente autorizadas pela Justiça.
Por que “Discórdia”?
O nome da operação faz referência ao Discord, aplicativo utilizado pelos investigados, segundo a Polícia Civil, para abordar e aliciar as vítimas.
A operação busca interromper a atuação do grupo e reunir novos elementos que possam esclarecer a participação de outros envolvidos e identificar eventuais novas vítimas.
As investigações continuam.