O governador descartou assumir o controle da autarquia e lembrou que o Estado mantém parceria de até R$ 60 milhões com Várzea Grande
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) que não pretende assumir o controle do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG), mesmo diante da repercussão do vídeo que mostra o diretor-presidente da autarquia, Rogerinho Dakar (PSDB), manuseando maços de dinheiro.
Apesar de afastar a possibilidade de intervenção estadual, Pivetta cobrou uma atitude da prefeita Flávia Moretti (PL), responsável pela administração do município e, consequentemente, pelo comando do DAE.
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O governador lembrou que o Estado mantém uma parceria com Várzea Grande por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que prevê investimentos de até R$ 60 milhões em equipamentos e materiais destinados à melhoria do abastecimento de água. Segundo ele, porém, a gestão da autarquia continua sendo atribuição do município.
"A prefeita vai tomar as providências se ela julgar necessário. Pelas cenas que eu vi, obviamente tem que tomar providência. Agora, eu não sou especialista nisso", afirmou Pivetta.
A declaração ocorre um dia depois de imagens envolvendo Rogerinho ganharem repercussão nas redes sociais. Na gravação, o presidente do DAE aparece dentro de uma sala recebendo diversos maços de dinheiro de um homem. Em seguida, ele coloca parte das cédulas no bolso e recebe uma sacola aparentemente cheia de notas.
Até o momento, não foram esclarecidos o valor, a origem ou a finalidade do dinheiro mostrado no vídeo.
O episódio também ocorre em meio a investigações relacionadas à administração do DAE-VG. O Núcleo de Competência Originária do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) conduz um inquérito policial, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar suspeitas de irregularidades na autarquia, incluindo possíveis pagamentos indevidos de produtividade a servidores e eventual desvio de recursos públicos.
Depois que as imagens vieram a público, Rogerinho Dakar se manifestou por meio das redes sociais e afirmou que foi surpreendido pela divulgação do vídeo. Segundo ele, os valores estariam relacionados a atividades comerciais realizadas antes ou paralelamente à sua atuação como gestor público.
"Fui pego de surpresa em um vídeo que está nas redes sociais. Quero dizer a toda a população que eu sou empresário há muitos anos, realmente já fiz várias transações comerciais", afirmou.
Apesar da explicação, o presidente do DAE não informou qual seria a negociação registrada nas imagens, tampouco revelou o valor envolvido ou quando a gravação foi feita.
Rogerinho também destacou medidas adotadas durante sua gestão e afirmou que a autarquia realizou mais de 14 licitações em cinco meses. Ele ainda declarou que pretende disponibilizar documentos do DAE para análise dos órgãos de controle.
O gestor também afirmou estar disposto a permitir a análise de seus dados bancários e dos familiares como forma de demonstrar, segundo ele, que não houve irregularidade relacionada ao dinheiro mostrado nas imagens.
Até o momento, as imagens, por si só, não esclarecem a origem dos valores nem permitem concluir que o dinheiro esteja relacionado a recursos públicos. A apuração dos fatos deverá determinar a origem das cédulas e eventual relação com as investigações já existentes sobre o DAE.