Ex-governador, que foi alvo da Operação Heritage, afirmou que investigações não devem ser interrompidas por causa do calendário eleitoral
O candidato ao Senado por Mato Grosso Mauro Mendes (União) se posicionou contra a proposta apresentada pelo também candidato José Medeiros (PL) para restringir operações policiais durante os seis meses que antecedem as eleições.
A ideia de Medeiros surgiu após a Operação Heritage, conduzida pela Polícia Federal e que teve entre os investigados nomes de destaque da política mato-grossense, incluindo o próprio Mauro Mendes.
Mesmo tendo sido alvo da operação, o ex-governador afirmou que não considera adequado impedir que órgãos de segurança realizem investigações durante o período eleitoral. Para ele, a preocupação deve estar voltada à eventual utilização política das estruturas policiais, situação que, segundo sua avaliação, deve resultar em responsabilização dos envolvidos.
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“Eu não concordo com isso. Assim como também não concordo que a Polícia Federal, a Polícia Civil, o aparato do Estado, seja utilizado por alguém que esteja momentaneamente ocupando esses cargos”, afirmou Mauro durante entrevista à rádio Jovem Pan Cuiabá.
Na avaliação do candidato, em vez de estabelecer uma proibição geral, a legislação deveria prever punições rigorosas para quem utilizar investigações ou operações com finalidade política, especialmente quando não houver elementos suficientes que sustentem as acusações.
“Ao invés de proibir, tem que penalizar duramente se alguém fizer esse tipo de uso indevido, de uso político, fazer denúncia sem lastro probatório adequado, simplesmente para criar embaraços para algum adversário político”, declarou.
Mauro também afirmou que a possibilidade de interferência política nas forças de segurança não seria um problema restrito a Mato Grosso. Segundo ele, situações semelhantes precisam ser fiscalizadas e interrompidas independentemente do Estado ou do grupo político envolvido.
“Isso merece, sim, ser observado e ser paralisado”, disse.
Medeiros havia defendido a criação de mecanismos para impedir que operações de grande repercussão sejam realizadas próximas ao período eleitoral. O argumento apresentado pelo deputado é que ações desse tipo, quando deflagradas pouco antes das eleições, podem provocar impactos políticos sobre candidatos, aliados e grupos que participam da disputa.
Mauro, entretanto, entende que uma restrição temporal poderia comprometer o trabalho das instituições responsáveis pela investigação de crimes.
Para o candidato, o período eleitoral não deve representar uma espécie de interrupção das atividades de investigação. Ele defendeu a manutenção da atuação das polícias, desde que dentro da legalidade e sem utilização da estrutura estatal para perseguição política.
“Vivemos em um País livre e democrático, em que você tem que ter o direito de se expressar, mas não pode também tirar da Polícia o direito de investigar em qualquer momento que seja”, afirmou.