Ex-governador defendeu que ministros do STF podem ser responsabilizados, mas disse que é preciso haver provas e criticou quem vive apenas de "barulho" nas redes
O ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), criticou parlamentares que, segundo ele, adotam um discurso incisivo nas redes sociais, mas não conseguem transformar esse posicionamento em resultados efetivos no Congresso Nacional. A declaração foi feita durante entrevista à rádio Jovem Pan Cuiabá, ao comentar o debate em torno de um possível processo de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sem citar nomes, Mendes afirmou que há políticos que priorizam a exposição nas plataformas digitais, mas não demonstram a mesma postura quando precisam atuar no Legislativo.
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"Tem que ter senadores ali que tenham coragem, porque fazer um vídeozinho, fazer um barulho, todo mundo faz. Mas cadê o resultado? Tem muita gente que só sabe fazer barulho. Faz barulho, grava um vídeo, esculhamba. [...] Tem muita gente que é macho na rede social, quando vai lá, na hora do vamos ver, é uma gazela", declarou.
O posicionamento ocorre em meio ao fortalecimento, dentro do PL, da defesa pelo impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes, pauta que vem sendo utilizada por pré-candidatos bolsonaristas ao Senado como uma das principais bandeiras da campanha.
A proposta ganhou força após os sucessivos embates entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e Moraes, relator de investigações envolvendo o ex-chefe do Executivo, incluindo o processo sobre a tentativa de golpe de Estado. As decisões do magistrado, entre elas medidas cautelares e a prisão de Bolsonaro, intensificaram as críticas de parlamentares ligados ao ex-presidente.
Apesar de defender que nenhuma autoridade esteja acima da lei, Mauro Mendes ponderou que não possui conhecimento aprofundado dos processos em andamento para afirmar se existem elementos suficientes que justifiquem o afastamento de algum integrante da Suprema Corte.
Segundo ele, ministros do STF também devem responder por eventuais irregularidades, caso haja comprovação de condutas incompatíveis com o cargo.
"Ninguém pode estar acima da lei. Já fizemos impeachment de presidente, de governador, de deputado, de juiz, de desembargador. Se fizer alguma coisa errada e comprovar, tem que ir lá e tirar mesmo. É simples assim", afirmou.
Ao concluir, o ex-governador avaliou que a relação entre os Poderes precisa ser aprimorada e defendeu maior protagonismo do Congresso Nacional na busca por equilíbrio institucional.
"Não conheço bem os processos, mas acho que tem muita coisa que precisa de dosimetria. É necessário melhorar a relação entre as instituições e os Poderes. As coisas não estão funcionando bem em Brasília, e o Congresso Nacional tem um papel importante nesse processo", finalizou.