Apesar das críticas nos bastidores, Irajá nega rompimento político e afirma que respeita as escolhas eleitorais de seus aliados
As recentes articulações políticas do ex-secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Irajá Lacerda (PSD), têm provocado desconforto dentro do próprio partido em Mato Grosso. Nos bastidores, integrantes da legenda passaram a se referir ao pré-candidato a deputado federal como "traidor", diante das alianças firmadas por ele desde que deixou o governo federal para disputar as eleições de 2026.
A principal insatisfação envolve o distanciamento de Irajá em relação ao senador Carlos Fávaro (PSD), de quem foi um dos principais colaboradores durante a gestão no Ministério da Agricultura. Apesar da proximidade política construída nos últimos anos, o ex-secretário passou a apoiar nomes que disputarão diretamente com Fávaro uma das vagas ao Senado.
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Nas agendas que tem cumprido pelo interior do Estado, Irajá tem declarado apoio ao ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e à deputada estadual Janaina Riva (MDB), ambos cotados para a disputa ao Senado e considerados adversários políticos de Fávaro.
Outra mudança apontada por lideranças do PSD diz respeito às articulações para a eleição proporcional em Mato Grosso. Embora existisse a expectativa de uma atuação conjunta com Rafaela Fávaro (PSD), pré-candidata à Assembleia Legislativa e filha do senador, Irajá passou a construir alianças com parlamentares de outras legendas.
Entre os nomes escolhidos para as chamadas "dobradinhas" estão os deputados estaduais Eduardo Botelho (União Brasil) e Paulo Araújo (Republicanos), ambos candidatos à reeleição por partidos que não integram o bloco de apoio formado pelo PSD no Estado.
Questionado sobre as críticas, Irajá afirmou que respeita as escolhas políticas de seus apoiadores e defendeu que diferentes alianças fazem parte da dinâmica eleitoral.
"Nós temos um diálogo com vários candidatos e respeitamos o posicionamento da nossa base. Há pessoas que caminham comigo e também caminham com a Rafaela. Da mesma forma, há pessoas que estão comigo e têm preferência, por exemplo, pelo Botelho ou pelo deputado Paulo Araújo. Eu respeito a posição delas. Política é isso: respeitar a convicção de cada um e aquilo que as pessoas entendem ser o melhor", declarou.
No cenário nacional, Irajá também adotou uma estratégia diferente da defendida por Carlos Fávaro. Enquanto o senador permanece alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-secretário anunciou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato da legenda à Presidência da República.
Segundo Irajá, a decisão segue a orientação partidária conduzida pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
"Não sabemos quem estará no segundo turno. Vamos trabalhar para que o nosso presidente, Ronaldo Caiado, chegue ao segundo turno. Iremos acompanhar 100% a orientação do nosso presidente nacional, Gilberto Kassab", afirmou.
Procurado para comentar o assunto, Carlos Fávaro evitou alimentar especulações sobre um rompimento político. O senador afirmou que não considera haver ruptura na relação com Irajá Lacerda e ressaltou que o partido mantém o compromisso de garantir a candidatura do correligionário à Câmara dos Deputados nas eleições do próximo ano.