TROCA DE ATAQUES

Flávio e Lula trocam acusações e discutem segurança e economia no último debate presidencial

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Flávio e Lula trocam acusações e discutem segurança e economia no último debate presidencial
Foto: Reprodução/ TV Globo

Confronto teve discussões sobre facções criminosas, endividamento, denúncias e propostas para o próximo governo.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizaram, na noite de sexta-feira (23), o último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo (25). O confronto, promovido pela TV Globo, foi marcado por discussões sobre segurança pública, economia, custo de vida e programas sociais, além de ataques pessoais e questionamentos sobre o histórico político dos dois candidatos.

Realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, o encontro foi mediado pelo jornalista César Tralli. Diferentemente do primeiro confronto, promovido pela Band no domingo (18), os presidenciáveis dedicaram mais tempo à apresentação de propostas, embora as acusações tenham voltado a ganhar espaço em diferentes momentos.

Na área da segurança pública, Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das leis penais e apresentou medidas para combater o avanço das organizações criminosas. Entre as propostas, citou a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, com possibilidade de responsabilização a partir dos 14 anos em casos de estupro.

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O candidato do PL também prometeu estabelecer pena mínima de oito anos para roubo de celulares, adotar a castração química para condenados por estupro de crianças e classificar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas.

Lula, por sua vez, defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a ampliação da atuação das forças federais no enfrentamento ao crime organizado. O petista também afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública, caso a proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional.

Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Flávio se referiu ao presidente como "nove dedos", em alusão ao acidente de trabalho sofrido pelo petista na juventude. Lula reagiu, afirmou que perdeu o dedo enquanto trabalhava como metalúrgico e exigiu um pedido de desculpas. O senador reconheceu que a expressão poderia ter sido ofensiva e se desculpou.

O embate também envolveu acusações relacionadas às milícias do Rio de Janeiro. Lula associou o adversário a esses grupos criminosos, enquanto Flávio rebateu as críticas e voltou a defender medidas mais rigorosas contra organizações envolvidas com o tráfico de drogas.

Outro episódio que elevou a tensão foi a discussão sobre a morte de Ana Clara, menina de cinco anos atingida por um disparo de fuzil em Niterói, em 2021. A mãe da criança acompanhava o debate na plateia. Flávio, que integrou a defesa de um policial militar acusado de envolvimento no caso, afirmou acreditar na inocência do agente. O processo ainda não havia sido julgado.

Na economia, o senador concentrou parte das críticas no aumento do custo de vida e no endividamento das famílias brasileiras. Ele defendeu uma política de redução de despesas públicas e prometeu conceder reajustes reais ao salário mínimo e às aposentadorias.

Lula questionou como o adversário conciliaria a promessa de aumento dos benefícios com a proposta de cortes no orçamento federal. O presidente também destacou medidas adotadas durante seu governo, como a política de valorização do salário mínimo e programas de renegociação de dívidas.

O petista voltou a defender restrições às plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, argumentando que o endividamento provocado pelos jogos tem afetado famílias brasileiras. Também apresentou uma proposta de compra de dívidas bancárias com desconto, com previsão de movimentar até R$ 150 bilhões.

Os dois candidatos ainda discutiram a possibilidade de gratuidade no transporte público aos fins de semana. Questionado pelo presidente, Flávio declarou ser favorável à tarifa zero, apesar de anteriormente ter criticado a proposta apresentada pelo governo federal.

No bloco de tema livre, os ataques se concentraram em suspeitas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Lula cobrou explicações sobre um pedido de financiamento de R$ 134 milhões para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio, por sua vez, levantou questionamentos sobre supostas relações financeiras envolvendo o petista. As acusações foram contestadas pelos adversários durante o confronto.

Também houve questionamentos sobre a divulgação de sigilos bancários e telefônicos, patrimônio e gastos com cartões corporativos. Ambos afirmaram ter apresentado documentos relacionados ao compromisso de transparência discutido durante a campanha.

O debate ocorreu em meio a uma disputa presidencial acirrada. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) apontou empate entre os candidatos, com 50% dos votos válidos para cada um.

Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno após liderar a primeira votação, realizada em 4 de outubro, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Com o encerramento do último confronto televisivo, os dois candidatos entram na reta final da campanha em busca dos eleitores indecisos. A votação que definirá o próximo presidente da República será realizada neste domingo (25).