Mudança ocorre em meio à repercussão da operação da Polícia Federal e às restrições judiciais impostas a investigados
O deputado federal Fábio Garcia (União) decidiu deixar a disputa pelo cargo de vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos) e voltará a concentrar seu projeto eleitoral na tentativa de permanecer na Câmara dos Deputados. A decisão foi tomada nesta terça-feira (11), após uma reunião entre integrantes do grupo político que articula a candidatura à reeleição de Pivetta.
A mudança ocorre poucos dias depois de Garcia ter sido alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas envolvendo um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi. O deputado nega qualquer envolvimento nas irregularidades investigadas.
A operação também impôs medidas cautelares a investigados, entre elas a proibição de contato entre algumas das pessoas citadas na investigação. Entre os nomes alcançados pela medida está o ex-governador Mauro Mendes (União), principal liderança política do grupo que havia articulado a indicação de Fábio para a vice de Pivetta.
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A saída do deputado modifica novamente o desenho da chapa governista. Fábio havia sido escolhido para ocupar a segunda posição da composição depois que o União Brasil decidiu apoiar o projeto de Pivetta ao Governo do Estado e indicou o nome para a vaga de vice.
Agora, os partidos aliados terão de retomar as conversas para definir quem será o novo companheiro de chapa do governador. A alteração também reabre uma negociação que havia sido encerrada após a disputa interna no União Brasil.
Antes da escolha de Fábio, o partido viveu uma disputa sobre o caminho a ser adotado para 2026. O senador Jayme Campos defendia que a legenda lançasse candidatura própria ao Governo, enquanto o grupo liderado por Mauro Mendes articulava o apoio a Pivetta. A tese de candidatura própria acabou derrotada por 30 votos a 19 durante a convenção.
Com a definição, a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, passou a integrar a aliança com o Republicanos. Como parte do acordo, o grupo ficou responsável pela indicação do candidato a vice-governador, função que acabou sendo destinada a Fábio Garcia.
O deputado, antes da composição, vinha trabalhando para disputar novamente uma vaga na Câmara Federal. A mudança para a chapa majoritária ocorreu após as articulações internas do grupo político, que o levaram a aceitar o posto de vice.
A Operação Heritage, entretanto, trouxe um novo elemento para a composição eleitoral. Garcia passou a ser alvo de questionamentos dentro da própria aliança sobre o impacto político da investigação e sobre a conveniência de mantê-lo como candidato a vice.
Uma parte dos aliados defendia a permanência do deputado, argumentando que uma alteração poderia transmitir a ideia de que ele estaria sendo responsabilizado antes da conclusão das investigações. Outro grupo avaliava que sua permanência poderia transformar a campanha em uma sucessão de explicações sobre a operação, desviando a discussão sobre a gestão estadual.
Garcia afirmou que não participou de qualquer irregularidade relacionada ao acordo investigado e sustentou que seu nome foi associado ao caso por razões políticas. Também declarou que não houve busca e apreensão em seus endereços e que não praticou atos relacionados ao negócio investigado pela Polícia Federal.
A investigação também alcançou Mauro Mendes, que disputará uma das vagas ao Senado. As medidas determinadas no âmbito da operação criaram uma situação política inédita para a aliança, já que integrantes do mesmo grupo eleitoral passaram a precisar observar as restrições impostas pela Justiça.
A proibição de contato entre investigados não impede, por si só, a candidatura de nenhum deles e também não representa condenação. A cautelar, porém, exige que os envolvidos observem as determinações judiciais durante o período eleitoral.
A escolha de Fábio Garcia para a vice ainda não havia sido formalizada por meio do registro das candidaturas quando a operação foi deflagrada. Com isso, a substituição pode ser discutida antes da oficialização das chapas na Justiça Eleitoral.
Agora, o grupo de Pivetta deverá definir um novo nome para a vice-governadoria. A decisão de Fábio também permite que o deputado retome o projeto de disputar a reeleição para a Câmara, cargo que já ocupava antes de ser escolhido para integrar a chapa majoritária.
A mudança, portanto, provoca uma nova rodada de negociações entre Republicanos, União Brasil e Progressistas e altera a composição eleitoral construída após a disputa interna do União Brasil.