Relatório da Polícia Federal aponta esquema de corrupção envolvendo ex-dirigentes do INSS e associações que realizavam descontos não autorizados em benefícios previdenciários
A Polícia Federal concluiu a primeira etapa da investigação da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas suspeitas de participação em um esquema de descontos irregulares aplicados sobre aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os investigados estão o ex-presidente da autarquia, Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro Filho e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
Segundo a investigação, o grupo responderá por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, inserção de dados falsos em sistemas públicos e organização criminosa. A Polícia Federal estima que as irregularidades tenham causado prejuízos de aproximadamente R$ 6 bilhões aos beneficiários do INSS.
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De acordo com o relatório final, Stefanutto é suspeito de ter deixado de fiscalizar entidades responsáveis pelos descontos em troca do recebimento de propina. Os investigadores afirmam que os pagamentos ilegais chegavam a cerca de R$ 250 mil por mês.
Ainda conforme a PF, o dinheiro teria sido repassado por meio de empresas utilizadas para ocultar a origem dos recursos, entre elas uma pizzaria apontada como empresa de fachada.
Além de Stefanutto, também foram indiciados o ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis, e o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro Filho. Os três permanecem presos preventivamente desde o final de 2025 e são investigados pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Outro foco da investigação envolve a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A Polícia Federal sustenta que a entidade possuía uma estrutura organizada, com divisão de funções entre seus integrantes, característica que levou os investigadores a classificá-la como uma organização criminosa.
O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, também foi indiciado. Durante as diligências, a PF apreendeu planilhas que registrariam pagamentos de propina supostamente relacionados à entidade. Segundo o relatório, os valores anotados coincidem com movimentações financeiras identificadas pelos investigadores.
A corporação afirma ainda que Virgílio Antônio Ribeiro teria recebido aproximadamente R$ 6,5 milhões em vantagens ilícitas, enquanto André Fidelis teria sido beneficiado com cerca de R$ 3,4 milhões.
O relatório foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que deverá remeter o material à Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá ao órgão analisar as provas reunidas e decidir se apresentará denúncia formal contra os investigados.
A Polícia Federal informou que as apurações prosseguem para verificar a atuação de outras entidades e de novos suspeitos no esquema.
Os investigadores também esclareceram que este relatório não trata da investigação paralela que apura uma possível ligação entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Essa apuração permanece em andamento e ainda não foi concluída.
Ao todo, os 48 indiciados são investigados pelos crimes de inserção de dados falsos em sistemas de informação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e participação, financiamento ou promoção de organização criminosa.