Enquanto parte dos vereadores de Várzea Grande e a prefeita Flávia Moretti (PL) protagonizam uma sequência de embates políticos, acusações e troca de farpas, quem parece ficar em segundo plano é justamente quem deveria estar no centro das discussões: o cidadão.
De um lado, integrantes da Câmara Municipal utilizam a tribuna e os espaços públicos para cobrar, criticar e confrontar a administração municipal. Do outro, o Executivo reage às críticas e também entra no jogo político. O resultado desse confronto permanente, porém, pouco muda a realidade de quem enfrenta diariamente problemas que continuam sem uma solução definitiva.
A população observa, muitas vezes, uma disputa que parece ter mais espaço do que a discussão sobre medidas concretas para melhorar os serviços públicos.
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Enquanto Executivo e Legislativo gastam energia em discussões políticas, problemas como abastecimento de água, infraestrutura, saúde, manutenção urbana, transporte, limpeza pública e outros serviços essenciais continuam fazendo parte da rotina dos moradores.
E a pergunta que começa a surgir é inevitável: até quando o embate político vai ocupar o espaço que deveria ser destinado à busca por soluções?
A Câmara Municipal tem entre suas principais funções fiscalizar o Executivo, cobrar resultados e representar os interesses da população. Fiscalizar não significa, necessariamente, transformar toda discussão em confronto. Da mesma forma, o Executivo precisa responder às cobranças, prestar contas e apresentar soluções para os problemas apontados.
O problema aparece quando a disputa política passa a ser maior do que a própria pauta de interesse público.
Para o cidadão que enfrenta dificuldades para conseguir atendimento, espera por melhorias no bairro, sofre com problemas no abastecimento ou precisa de serviços públicos funcionando adequadamente, pouco importa quem venceu a discussão política do dia.
O que importa é saber quem vai resolver o problema
A sensação de parte da população é de que Executivo e Legislativo estão presos em uma queda de braço, enquanto a cidade espera. E, nesse cenário, o morador acaba ficando literalmente “a ver navios”: sem saber se deve cobrar a prefeita, os vereadores ou ambos.
Fiscalização ou disputa política?
É legítimo que vereadores façam críticas à prefeita e à administração municipal. Também é legítimo que a prefeita responda aos questionamentos e defenda sua gestão.
O que precisa ser questionado é se a energia empregada nesses confrontos está, de fato, produzindo resultados para a cidade.
A Câmara poderia transformar os problemas apresentados pelos moradores em agendas permanentes de fiscalização, reuniões técnicas, audiências públicas, acompanhamento de contratos, cobrança de cronogramas e apresentação de soluções.
Da mesma forma, o Executivo precisa demonstrar planejamento, transparência e capacidade de resposta.
No fim das contas, não é a quantidade de discussões entre políticos que melhora uma cidade. São as ações concretas.
A população quer menos discurso e mais resultado
Várzea Grande não precisa de uma disputa permanente entre poderes. Precisa de diálogo institucional, fiscalização séria e cobrança responsável.
O vereador não precisa deixar de fiscalizar. A prefeita não precisa deixar de responder às críticas. Mas ambos precisam lembrar que existe uma cidade do lado de fora dos gabinetes.
Uma cidade formada por pessoas que pagam impostos, enfrentam problemas diariamente e esperam que seus representantes façam aquilo para o qual foram eleitos.
Enquanto Executivo e Legislativo trocam acusações, a população continua esperando água, saúde, infraestrutura, segurança, serviços públicos eficientes e respostas para problemas antigos.
No final, a pergunta que fica para os dois lados é simples:
Quem está realmente trabalhando para resolver os problemas de Várzea Grande e quem está apenas fazendo política?
Porque, para o morador, pouco importa quem ganhou o bate-boca.
O que ele quer saber é quando a solução vai chegar.