PEDIDO DA DEFESA

Cuidadora investigada por exploração sexual infantil pede para deixar prisão em delegacia

· 2 min de leitura
Cuidadora investigada por exploração sexual infantil pede para deixar prisão em delegacia
A ex-babá Tafnes Cavalheiro de Souza,e o empresário Fábio Serafim de Oliveira - Foto: Reprodução

Defesa afirma que investigada está há mais de 30 dias em uma delegacia sem estrutura para custódia prolongada e pede substituição da prisão por medidas cautelares

A cuidadora de crianças Tafnes Cavalheiro de Souza, de 19 anos, solicitou à Justiça a revogação de sua prisão preventiva, alegando que está custodiada há mais de um mês em condições inadequadas na Delegacia de Polícia Civil de Sorriso. Presa desde julho, ela é investigada por aliciar crianças para a produção e comercialização de material de abuso sexual infantil.

O pedido foi apresentado pelo advogado Walter Rapuano, que sustenta que a permanência da investigada em uma unidade policial por período prolongado viola direitos fundamentais, uma vez que o local não possui estrutura destinada à custódia de presos por tempo indeterminado.

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Na petição, a defesa afirma que a situação é agravada pela superlotação do sistema penitenciário de Mato Grosso e pelo déficit de vagas nas unidades prisionais, fatores que, segundo o advogado, comprometem a dignidade e a integridade física da investigada.

Como alternativa à prisão preventiva, a defesa propôs a adoção de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar e outras restrições que, na avaliação do advogado, seriam suficientes para garantir o andamento das investigações e a ordem pública.

Caso a Justiça mantenha a prisão preventiva, a defesa pede que Tafnes seja transferida para uma unidade prisional feminina com estrutura adequada para receber detentas. Até o momento, o Judiciário ainda não decidiu sobre o requerimento.

As investigações tiveram início após uma familiar de uma das vítimas presenciar uma criança tentando reproduzir um ato de cunho sexual com outra. Ao questioná-la sobre o comportamento, a criança revelou que havia sido orientada pela cuidadora a praticar esse tipo de conduta.

A denúncia levou o caso à Polícia Civil, que iniciou as diligências. Durante a investigação, os policiais apreenderam o celular de Tafnes e, após análise do aparelho, encontraram vídeos e fotografias envolvendo crianças sob seus cuidados.

Segundo a apuração, o material era encaminhado a terceiros mediante pagamento. Entre os destinatários identificados pelos investigadores está o empresário Fábio Serafim de Oliveira, de 42 anos, preso em Sorriso no dia 15 de julho.

De acordo com a Polícia Civil, embora inicialmente tenha negado participação nos crimes, o empresário posteriormente admitiu ter recebido os conteúdos, mas alegou ter sido vítima de uma armação. A versão, no entanto, foi descartada pelos investigadores, que afirmam ter reunido provas materiais, incluindo registros de pagamentos e arquivos enviados ao suspeito.

Ainda conforme a investigação, também foi localizado um vídeo que mostraria o empresário abusando sexualmente de uma criança. Até o momento, a Polícia Civil identificou pelo menos 33 vítimas ligadas ao esquema criminoso.