Além das ocorrências em combate, satélites identificaram 191 focos de calor nas últimas 24 horas em Mato Grosso
Mato Grosso enfrenta uma nova frente de incêndios florestais durante o período de estiagem. No último sábado (12), o Corpo de Bombeiros Militar atuou no combate a 14 ocorrências espalhadas por 10 municípios do Estado.
As equipes estão mobilizadas em Novo Santo Antônio, Pontal do Araguaia, Ponte Branca, Ribeirão Cascalheira, Nova Xavantina, Confresa, Marcelândia, Primavera do Leste, Paranatinga e Poconé. Pontal do Araguaia concentra três focos em atendimento, enquanto Novo Santo Antônio e Confresa registram duas ocorrências cada. Nas demais cidades, há uma ocorrência em combate.
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Os militares trabalham para impedir que as chamas avancem para novas áreas, controlar os focos e acompanhar os locais já atingidos. A atuação também busca reduzir os riscos para moradores, propriedades rurais e áreas de vegetação.
Conforme a necessidade de cada região, o trabalho recebe apoio do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), da Defesa Civil Estadual, do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e da Polícia Militar. A utilização conjunta das estruturas permite ampliar a capacidade das equipes em áreas de difícil acesso e acelerar as ações de combate.
Além dos incêndios já identificados pelas equipes em campo, o monitoramento por satélite registrou 191 focos de calor em Mato Grosso nas 24 horas anteriores à última atualização, realizada às 17h. Os dados são do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com referência no satélite Aqua Tarde.
Do total registrado, 100 focos estavam no bioma Amazônia e 91 no Cerrado. Também foram identificados 85 focos em Terras Indígenas, distribuídos por diferentes regiões do Estado.
Entre as áreas com maior número de registros estão as Terras Indígenas Sangradouro/Volta Grande, em Poxoréu, com 22 focos, e Pimentel Barbosa, em Ribeirão Cascalheira, com 18. Também houve registros nas terras indígenas Urubu Branco e Tapirapé/Karajá, em Santa Terezinha; Terena Gleba Iriri, em Peixoto de Azevedo; Areões, em Nova Nazaré; Sararé, em Pontes e Lacerda; Apiaká/Kayabi, em Juara; Erikpatsá, em Brasnorte; Panará, em Guarantã do Norte; Parque do Xingu e Wawi, em Querência; São Marcos, em Barra do Garças; Maraiwatsede, em Alto Boa Vista; Parabubure, em Campinápolis; e Utiariti, em Campo Novo do Parecis.
O Corpo de Bombeiros alerta, no entanto, que a identificação de um foco de calor por satélite não significa necessariamente que exista um incêndio florestal no local. O registro indica apenas uma área com temperatura elevada e precisa ser analisado em conjunto com outras informações para confirmar a ocorrência de fogo.
No caso das Terras Indígenas, o combate aos incêndios é atribuição de órgãos do Governo Federal, já que o Estado não possui autorização para atuar diretamente nessas áreas.
Paralelamente ao combate, o Corpo de Bombeiros mantém ações de fiscalização por meio da Operação Infravermelho. O monitoramento é realizado pela Sala de Situação Central, instalada no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá.
A estrutura utiliza imagens de satélite e outros recursos tecnológicos para localizar áreas que apresentam risco de incêndio ou onde o fogo possa ter sido iniciado de forma irregular. A estratégia permite que as equipes atuem tanto na prevenção quanto na identificação de possíveis responsáveis por queimadas ilegais.
Desde o começo do período em que o uso do fogo está proibido em Mato Grosso, os bombeiros também já foram acionados para controlar e extinguir incêndios em dezenas de municípios, entre eles Água Boa, Aripuanã, Canarana, Chapada dos Guimarães, Colíder, Colniza, Guiratinga, Matupá, Nova Xavantina, Paranatinga, Primavera do Leste, Ribeirão Cascalheira, Rondonópolis, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia e União do Sul.
O período proibitivo para uso do fogo em áreas rurais dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026. Em áreas urbanas, a utilização do fogo é proibida durante todo o ano.
O Corpo de Bombeiros reforça que queimadas realizadas de maneira irregular podem resultar em responsabilização por crime ambiental, além de provocar riscos à população, à saúde e ao meio ambiente. Denúncias podem ser feitas pelos telefones 193, do Corpo de Bombeiros, ou 190, da Polícia Militar.