Deputado de Mato Grosso questionou o destino dos recursos arrecadados pela União e relacionou o cenário ao aumento da dívida e dos juros
O deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT) criticou a situação fiscal do país e classificou como “humilhante” o cenário enfrentado pelo governo federal. Em vídeo gravado no plenário da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (12), o parlamentar questionou a capacidade da União de manter investimentos em áreas como saúde e educação, mesmo diante do aumento da arrecadação.
Durante a gravação, Barbudo apontou a divisão entre os grupos políticos que ocupam o plenário da Câmara e atribuiu à esquerda parte da responsabilidade pelo quadro das contas públicas.
“Deste lado ficam os deputados da direita, deste lado ficam os deputados da esquerda. Deputados que fizeram questão de quebrar o nosso país”, afirmou.
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Na sequência, o deputado citou a situação do orçamento federal e afirmou que a União não teria recursos suficientes para garantir a execução de despesas nas áreas de saúde e educação.
“A União não tem 120 bilhões para tocar a educação e a saúde”, declarou.
Dados de uma análise da Consultoria de Orçamentos do Senado apontam uma diferença de aproximadamente R$ 105,5 bilhões entre as despesas discricionárias que podem ser pagas e o limite financeiro disponível atualmente para o conjunto do Poder Executivo. Saúde e educação estão entre os setores submetidos a maior pressão orçamentária.
Ao comentar os números, Barbudo questionou o destino dos recursos arrecadados pelo governo e voltou a responsabilizar a bancada de esquerda pelas decisões políticas que, segundo ele, contribuíram para o atual cenário.
“Onde foi parar este dinheiro? Nós não sabemos. Eu sei que deste lado do plenário as votações contribuem para que o Brasil chegue em uma situação humilhante. Um dos maiores países do mundo não tem condições de manter a educação e a saúde”, afirmou.
O parlamentar relacionou a dificuldade de execução das despesas ao cenário fiscal enfrentado pelo governo federal, que combina aumento da arrecadação, crescimento da dívida pública e elevado peso dos juros sobre as contas.
Nos últimos anos, o governo federal também adotou medidas voltadas ao aumento ou à recomposição de receitas tributárias. Para Barbudo, entretanto, o problema das contas públicas não está restrito à capacidade de arrecadação, mas também envolve as decisões tomadas na condução do orçamento e as prioridades definidas pelo governo e sua base no Congresso.
Ao final da gravação, o deputado direcionou a crítica ao período eleitoral e pediu que os eleitores avaliem as escolhas que serão feitas nas urnas para os cargos de presidente da República, senador, deputado federal e deputado estadual.
“Portanto, nas próximas eleições, você pense bem”, declarou Barbudo.